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Último dia para ver o texto de Plínio Marcos mais forte que nunca

Luiz Carlos Merten

12 Agosto 2018 | 09h25

Fui rever ontem à noite Navalha na Carne Negra – lotado, com gente sentada no chão. Trataram-me como um rei, me conseguindo lugar na primeira fila, quando a Sala Multiusos do TUSP já estava cheia. Encontrei meus ex-editores, Evaldo Mocarzel e Dib Carneiro, e com o segundo, que volto a chamar de amigo querido, fui jantar depois. Fico feliz de ter ajudado a chamar atenção para a belíssima montagem do texto de Plínio Marcos. Nunca o senti tão vivo, tão forte, como nessa versão de Fernando Peixoto de Azevedo com Lucelia Sergio, Raphael Garcia e Rodrigo dos Santos. Dib teve uma preocupação linda – será que Walderez de Barros assistiu a essa Navalha na Carne? Se não, hoje é o último dia – ainda tem tempo. Ontem, só houve uma falha. Rodrigo, que faz o Vado, chorou quando Lucelia, como Neusa Sueli, tem aquele monólogo falando sobre a merda que é a vida dela de puta. Vado das Candongas, das quebradas, não pode chorar. Isso vai contra a arquitetura dramática do texto de Plínio Marcos. E, depois, como sempre diz meu mestre Gabriel Villela, ator não chora. Ator é aquele que finge ser dor a dor que sente de verdade. Mas eu entendo a emoção de Rodrigo – com aquela plateia na mão dele e de seus companheiros de cena, fazendo vibrar todas aquelas pessoas, nas quais me incluo. Eram lágrimas do homem sensível, não de Vado, que logo se recompôs e partiu pra porrada pra cima da Neusa. Assistam! Mas cheguem uma hora antes, se quiserem lugar. Já na próxima semana teremos outra Navalha na Carne, Branca, em homenagem a Tonia Carrero e interpretada pela neta da atriz, da estrela que morreu este ano. Vou ver, vou dar um voto de confiança, mas já aviso que vai ser difícil se equiparar a essa (poderosa) Navalha na Carne Negra.