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Ultimato! E os Russo são os novos ‘kings of the world’

Luiz Carlos Merten

22 de julho de 2019 | 22h15

Há dez anos James Cameron mantinha-se no topo, king of the world, como diretor do filme de maior bilheteria de todos os tempos, Avatar. Neste final de semana, e graças a uma manobra da Disney, dona da Marvel, que relançou o filme no cinema, pouco após o lançamento oficial, com cenas adicionais, Vingadores – Ultimato finalmente ultrapassou a receita bilionária de Avatar. A margem é pequena, US$ 2.790,2 bilhões contra US$ 2.789,7 bilhões, mas o suficiente para que Avengers assuma a dianteira e os irmãos Russo, Anthony e Joe, sejam os novos reis do mundo. Há não sei quantos anos Cameron trabalha em quatro sequências de Avatar que, quando lançadas, provavelmente irão catapultá-lo de novo ao primeiro posto, mas eu tenho de admitir que estou vibrando por Anthony e Joe. Quando se trata de defesa de mercado, torço pelo lado de cá e estou na expectativa da cota de tela que duvido que vá sair. M. le prêsidan, para utilizar o francês, que como explica Jô Soares é a língua da diplomacia, já deixou claríssimo de que lado está e o episódio mais recente é o dos navios iranianos parados no porto de Paranaguá. Sou, confesso, esse ser dividido. Como espectador, posso ter gostado do primeiro Exterminador do Futuro e achado interessante a luta de classes no transatlântico de Titanic, mas, como autores, acho os Irmãos Russo maiores e mais defensáveis que Cameron. Capitão América – Soldado Invernal e Guerra Civil e Avengers – Guerra Infinita e Ultimato formam um bloco, uma tetralogia?, de notável coerência. O arco que eles desenharam para o Capitão até o deslumbrante desfecho de Ultimato me deixou absolutamente chapado. Os Russo possuem o sentido do drama, como Zach Snyder e Christopher Nolan na rival DC Comics. Eventualmente tomam liberdades com as HQs, mas justamente porque são autores e possuem uma agenda ao abordar os super-heróis. Para mim, mais importante que o superfaturamento da Disney, dona da Marvel e que agora comprou também a Fox, que produz Avatar 2, 3, 4 e 5, é a chegada de Anthony e Joe Russo ao lugar em que estão atualmente. É, belos, cinema de autor não é só o Nuri Bilge Ceylan, com sua Árvore dos Frutos Selvagens, de quem, aliás, gosto muito. Quem não se dá conta disso está perdendo o trem da história. Prefiro ser anacrônico ao dispensar o celular que ao tentar minimizar o aporte dos Russo ao cinema do século 21.