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Troca de Rainhas expõe crianças no jogo de poder

Luiz Carlos Merten

29 Julho 2018 | 11h56

Troca de Rainhas – o título original é Troca de Princesas – conta uma história que o diretor Marc Duigan adaptou do romance de Chantal Thomas, autora que foi aluna de Roland Barthes e também escreveu o livro que inspirou Adeus à Rainha, de Benoit Jacquot. Passa-se em 1721, quando o regente da França oferece ao rei da Espanha uma barganha em troca da paz – o príncipe herdeiro Luis XV, de 11 anos, se casaria com a infanta Anna Maria Vitória, de apenas 4, e a própria filha do regente, Louise-Elizabeth D’Orléans, de 12, foi oferecida como esposa ao então príncipe de Astúrias, Filipe V, de 14. Com pompa e circunstância – figurinos, cenografia, iluminação, música -, Duigan conta essa dupla história que no fundo é brutal e propõe uma outra visão da realeza. Um filme desses talvez não pudesse ser feito em Hollywood em nome da correção política, porque o tempo todo se discute as possibilidades sexuais dessas crianças, já que, como reis e rainhas, precisam produzir herdeiros e a capacidade de procriação é o que se espera de todos. São mercadorias, em processos de trocas nos quais se ignoram a idade e os sentimentos. A infanta apaixona-se pelo rei francês, mas ele, numa fase, é dominado pelo conselheiro gay (totalmente do mal), que a hostiliza como ‘criança mimada’. O príncipe de Astúrias também se apaixona pela prometida que o rejeita. Enfrenta o pai e a mãe, e ouve deles que o amor nunca foi mencionado, muito menos exigido, nessa transação. Fiquei muito impressionado com Troca de Princesas e até gostaria de entrevistar o diretor. O filme traz uma atriz da qual gosto muito. Em 1986, Catherine Mouchet foi a jovem Thérèse de Alain Cavalier e, no ano seguinte, ganhou o César de melhor espoir. Agora, aos 58, faz a fiel protetora de Luís XV e da infanta, mas que não tem voz face às intrigas e à burocracia da corte. Catherine tem aparecido sempre como coadjuvante, provando que não existem pequenos papeis. Nunca é menos que boa – ótima?