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Trem bão!

Luiz Carlos Merten

21 de dezembro de 2015 | 09h48

Cá estou dando notícias, depois de quase uma semana. Mas tive alguns percalços. Na quarta-feira passada, tivemos à noite uma confraternização do Caderno 2 e eu, guri novo, entrei numa competição de pínga – é, cachaça – com meus colegas mais jovens. Até achei que estava bem, mas, ao chegar em casa, caí no banheiro e bati com a cabeça. A Lúcia, que dormiu lá porque tinha compromisso perto (e cedo), ouviu o barulho, tomou o maior susto ao me ver estatelado – e ensanguentado – e desmaiou. Caiu e também bateu a cabeça, só que o caso dela foi mais grave. Lúcia levou um monte de pontos. Pai desnaturado. Ela já está em Montevidéu, desde ontem. Viajo amanhã. Vamos passar o Natal no Uruguai com a mãe dela, que também faz 70 anos (dia 23), tentando esquecer todo esse imbróglio. Família reunida jamais será vencida. Na quarta pela manhã, mal tive tempo de acrescentar o post sobre Star Wars Episódio VII. Gostei muito de O Despertar da Força. Naquela manhã, corri para o Shopping Jardim Sul para ver os dois primeiros capítulos de Ligações Perigosas, a minissérie (em 10 capítulos) que Vinícius Coimbra adaptou do romance epistolar de Choderlos de Laclos. Vinícius é f… Com o roteiro de Manuela Dias, grande frasista (como ele a definiu) e aquele elenco (Patricia Pilar, Patricia Pilar, Patricia Pìlar), como ele me disse no fim, só precisava não estragar. A minissérie foi gravada em 4K, todo mundo queria falar só da técnica. Não é o assunto que mais mexe comigo. Na véspera, havia visto, como já disse, o novo Star Wars. Não creio que tenha feito a mais breve referência, em meu texto no Estado, sobre o que avançou, ou não, na tecnologia usada por JJ Abrams. A técnica, para mim, só interessa como ferramenta a serviço da dramaturgia. Se Ligações fosse ruim, nem o dobro de Ks me impressionaria. Grande Vinícius. Não consegui emplacar que sua Lady Macbeth, Ana Paula Arósio, fosse a melhor atriz do ano na APCA, mas teria tido uma apoplexia se João Miguel, por seu Augusto Matraga, não fosse o melhor ator. Saí de Ligações Perigosas e corri para Alphaville, na cabine da Fox/Warner, para ver The Revenant. Gostei bem mais do novo Alejandro González-Iñárritu, mesmo que os defeitos que o filme tenha (tem) sejam os de Birdman, que, aquele sim, era uma fraude. O Retorno dura duas horas e pouco, que parecem quatro, de forma bastante intencional, claro. Você já sabe a história. Em plena guerra da independências, pré-conquista do Oeste, o guia Leonardo DiCaprio é abandonado para morrer, mas volta, de entre os mortos, para caçar o assassino de seu filho mestiço. A história tem aspectos similares à de Fúria Selvagem, Man in the Wilderness, com Richard Harris, e pode ser que a memória me traia, mas o filme antigo, de Richard C. Sarafian – maior cineasta que Iñárritu – é melhor, só que tem um miolo em The Revenant, quando DiCaprio resgata a índia dos franceses e volta para o forte, que me deixou louco. E, aleluia, por uma vez, um papel, DiCaprio não está com aquela cara de Benjamnin Britton, bebê chorão precocemente envelhecido. Vou ter de voltar a Ligações e a O Retorno. Há tanto tempo que não via Selton Mello como ator. Foi outra boa surpresa. Imagino que ele tenha discutido com o diretor, mas resistiu a fazer as caras e bocas de John Malkovich como Valmont. Trem bão demais da conta, como dizem os mineiros.