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Trasnsexualidade em discussão

Luiz Carlos Merten

17 de fevereiro de 2015 | 13h41

PARIS – Tenho limites para a defesa de causas perdidas. Se defendo 50 Tons de Cinza é porque creio, sinceramente, que o filme e a diretora, Sam Taylor-Johnson, são defensáveis, é só uma questão de não ser preconceituoso. O caso dos irmãos Wachowski é mais complicado. Nem gostei tanto da trilogia Matrix, mas não sou do tipo que se acha superior e desdenha a base filosófica dos três filmes. Andy e Larry sempre me interessaram como um ‘caso’. Larry, todo mundo sabe, virou Lana, não botando vestido como Laerte, para questionar o ‘gênero’ – ai, cansaço -, mas cortando o pinto para virar mulher, numa questão visceral de identidade, não de ‘cultura’. Eu tenho fantasias com esses irmãos, agora irmão e irmã, que nem me atrevo a sugerir porque são coisas da minha cabeça (podre?). Speed Racer é sobre  a trágica relação de dois irmãos – para mim é Dois Destinos/Cronaca Familiare em versão blockbuster. Um dos irmãos faz uma cirurgia para mudar de identidade, uma coisa sem volta, como a mudança de sexo de Larry/Lana. Com um trilhão de efeitos, o filme me bate denso e sofrido como a história de Vasco Pratolini adaptada por Valerio Zurlini., Desde então, acho sempre que o cinema dos Wachowski incorpora o tema. Cloud Atlas faz isso por meio de uma história de reencarnação, Júpiter – O Destino do Universo, que vi ontem, por meio de uma fantasia científica que é quase lima história de reencarnação. A história maluca é de uma família, uma dinastia, que domina o universo. A mãe morre e os filhos disputam os planetas. Eddie Redmayne possui a Terra, ou acha que possui, porque ele descobre que, graças a uma história de clonagem, a sequência dos genes de Mila Kunis faz com que ela seja a reencarnação da rainha e, portanto., tem direito à Terra. Antes de entrar numa aventura louquíssima que a leva aos confins do universo, Mila detesta o que faz, e é lavar privadas em Nova York. Channing Tatum é seu guardião estelar e os dois, claro se apaixonam, mas a questão é que a vida de Mila, quando ela herda a Terra, não muda nada. Ela segue lavando privadas, mas agora tem um outro olhar sobre as coisas e o mundo. Está em paz consigo mesma, feliz – como Lana? Fui procurar na internet e encontrei uma entrevista de Lana em que ela diz que sempre procura com o irmão uma história simples, pequena, mas aí os dois começam a encher de coisas e viram filmes enormes, como Júpiter Ascending. Não posso dizer que o filme é bom, mas como fazer entender que gostei de ver Júpiter? Os Wachowski não fazem outra coisa senão falar deles, e de Lana. É uma coisa incestuosa – no meu imaginário, pelo menos. O filme está sendo um flop monumental, mas se há uma coisa que não se pode negar é que, sendo suicida, é um filme ‘autoral’. Mesmo com outras ferramentas, o tema, aqui como em Speed Racer e Cloud Atlas, é a transexualidade, que persegue os Wachowski..