As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Tony Scott

Luiz Carlos Merten

21 de agosto de 2012 | 13h54

LOS ANGELES – Aqui estou, desde ontem, depois do que me pareceu uma aventura sem fim. Meu voo atrasou em Sao Paulo, perdi a conexao inicial, a outra que jah havia sido remarcada e cheguei em cima da hora para ver `Curvas da Vida`, o novo Clint Eastwood, em que ele eh soh ator, dirigido pelo amigo (e coprodutor) Robert Lorenz. Daqui a pouco encontro o grande homem. Ele estah muito bem no papel, mas nao posso fazer critica (ainda). Eastwood chegou ao ponto dos grandes icones do passado – Gary Cooper, John Wayne. Um rosto esculpido na pedra. Comprei ontem uma revista, uma edicao especial, American Cowboy, sobre John Wayne. Fotos, depoimentos. O voo de Dallas para cah leva umas 4 horas. Fiquei viajando nas imagens, lembrando meu passeio a Monument Valley. Meu sonho era ir a Monument Valley, Agora, eh voltar. Tomei um choque no fim da noite, ao voltar para o hotel e descobrir a morte, o suicidio, de Tony Scott. Hah versoes conflitantes sobre os motivos que teriam levado o irmaoh de Ridley a tirar a propria vida. A primeira pessoa de quem me lembrei foi Cesar Charlone, o fotografo de Fernando Meirelles. Cidade de Deus causou um impacto taoh forte em Tony, que ele contratou Charlone para seu filme `mexicano`, Chamas da Vinganca, com Denzel Washington. Espero que alguem tenha se lembrado, o Caderno 2, de pedir um depoimento a Charlone. Tony Scott fez toda a fotografia do filme, quando Charlone chegava ao set de manhah ele jah havia definido tudo. Era um controlador nato. Nao gosto de Fome de Amor, apesar da vampira Catherine Deneuve, cujo visual esculpiu a reputacaoh de Tony como diretor publicitario. Em Ases Indomaveis, a reputacaoh era de diretor de videoclipes. Confesso, meus prazeres proibidos, que tenho imenso prazer de assistir a Top Gun e nao resisto quando estou zapeando na TV e o filme estah passando. Fico a espera de `Take My Breath Away`, de fundo para as imagens do jovem Cruise na moto. Quentin Tarantino, em Vem Dormir Comigo, formulou aquela interpretacao do filme como love story gay entre Cruise e Val Kilmer (apesar da instrutora/psicologa Kelly McGillis). Tony Scott fez trocentos filmes com Denzel Washington e eu gosto muito de dois, o citado Chamas da Vinganca, em que ele queria Charlone por perto porque o visual da Cidade do Mexico era totalmente City of God, e Incontrolavel, que eh eletrizante sem descuidar da intensidade dos conflitos nem dos personagens de Denzel e Chris Pine. Hah algo de samurai em Chamas – aquela historia da bala que naoh erra, do pai que precisa se purgar do erro terrivel do sequestro da filha, colocando-a em risco por causa do dinheiro, para escapar da ruina. Tony Scott planejava, ouvi na TV americana, uma sequencia para Top Gun, com Cruise. Como seria a volta dos dois ao filme que foi mitico de uma geracao? Morro defendendo Ridley Scott, o irmao, que tem tres ou quatro filmes que me fascinam imensamente, mas Tony nao me desagradava, nao. Naoh eh um diretor do qual critico diga que vah sentir falta. Sua morte, suicidio ainda por cima (por que?), na sequencia de outras, me tocou.