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Todo Lang

Luiz Carlos Merten

12 de julho de 2014 | 18h44

Cá estou postando, em pleno jogo do Brasil. Os 2 a 0 da Holanda não se comparam aos 5 a 0 da Alemanha no fim do primeiro tempo, mas a coisa segue feíssima e eu não entendo mais nada. Neymar sussurrando no ouvido dos colegas, dando instruções? Virou auxiliar do Scolari ou é o técnico em exercício? É a casa da Mãe Joana… Até gostaria de dizer duas ou três coisas sobre essa seleção, mas não é minha praia e eu volto ao cinema. Tenho feito muitas matérias para o portal, além do jornal. E muitas vezes, caso do texto sobre Fritz Lang, por exemplo – faço um para o impresso e outro para o online, para não impor ao leitor a mesma coisa. Tento até mudar o foco. Esse ciclo do Fritz Lang é bem bacana. Todo Lang e, já que tenho certeza de que meus colegas vão destacar a importância do mestre expressionista, vou ficar com o hollywoodiano, que ainda permanece o prazer culpado de alguns. O maior Lang é alemão, M, o Vampiro de Dusseldorf, mas eu sugiro que, entre os muitos e impressionantes filmes do grande diretor na ‘América’, o cinéfilo assista a três. Aos ‘meus’ três, os mais românticos – House by the River/Maldição, de 1950, com Louis Hayward e Jane Wyatt; Rancho Notorious/O Diabo Feito Mulher, de 1952, com Marlene Dietrich e a canção Chuck-a-Luck, cujos versos sintetizam a obra langiana – a velha história de ódio, vingança e morte -; e O Tesouro do Barba Rubra/Moonfleet, de 1954, com Stewart Granger e George Sanders, mas cujo protagonista é o garoto John Whiteley. É através dos olhos dele que Lang revela a corrupção do mundo, criando, numa aventura infanto-juvenil, um universo de sombras – pressago, define John Bogdanovich – como o de sua obra-prima M. E, sim, não percam o Lang ator no maior filme de Jean-Luc Godard. O travelling inicial de O Desprezo, em Cinecittá, é genial, mas todo o filme é brilhante. Lang faz diretor que realiza, com estátuas, representando o mito, um filme sobre a Odisseia. Na trama homérica, Ulisses perde-se no mundo, tentando voltar para casa após a Guerra de Troia. Sua mulher, Penélope, não desiste de esperá-lo. Brigitte Bardot não é nenhuma Penélope, mas Godard é compassivo com a mulher moderna, cujo homem também não é nenhum Ulisses. Parei várias vezes o post para olhar o jogo. Estamos quase em 40 do segundo tempo, os 2 a 0 permanecem. A Copa foi, continua sendo, maravilhosa, mas não para o time dono da casa.

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