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Kathryn Bigelow

Luiz Carlos Merten

31 de julho de 2008 | 16h25

Mário Kawai comentou a presença de Kathryn Bigelow na seleção de Veneza e eu fui conferir. A lista, divulgada na terça-feira, saiu na edição de ontem do Estado. Como Zanin, meu colega Luiz Zanin Oricchio, é quem vai ao Lido, a matéria era dele. Não é para desmerecer, mas em princípio, em relação a anos anteriores, não achei uma grande seleção, a priori. Ou, então, é porque não gosto de diretores como Darren Aronofsky, que vai concorrer ao Leão de Ouro com ‘The Wrestler’ e eu fiquei surpreso, no outro dia, ao descobrir que ele assinou contrato para fazer um novo ‘RoboCop’ (amo o primeiro filme da série, dirigido por Paul Verhoeven). O que Aronofsky vai fazer com o RoboCop, meu Deus? Tremo wsó de pensar. Mas Veneza, esta é a verdade, como todo festival, tem seus queridinhos. Isso vale para o mundo e para o Brasil, ou alguém consegue imaginar Brasília sem Júlio Bressane (e vice-versa)? No Lido, este ano, estarão Takeshi Kitano, Ferzan Ozpetek, Werner Schroeter. Kathryn Bigelow entra no lote. Fui algumas vezes a Veneza para cobrir o festival, no começo dos anos 90. Foi lá que falei com ela, em 1995, justamente quando Kathryn participava da seleção oficial com ‘Strange Days’ (Estranhos Prazeres). Não me lembro mais se o filme concorria ou passava numa sessão especial. Fiquei impressionado com a ex-mulher de James Cameron. Kathryn Bigelow era uma típica mulher pós-feminista. Era bonitona, e sexy, com um brilho de estrela de cinema, mas preferiu ir para trás das câmeras, onde desenvolveu uma direção de cena forte, mais ‘viril’ do que a da maioria de seus colegas homens de Hollywood (incluindo o ex-marido). Achava interessantes filmes como ‘Jogo Perverso’, The Blue Steel, ou ‘Caçadores de Emoções’, em que a violência e as armas eram erotizadas, e esse era o jeito Kathryn Bigelow de filmar. Até onde me lembro, não foi só no Brasil que ‘Estranhos Prazeres’ – foi assim que o filme se chamou, não? – não pegou e isso comprometeu um pouco o desenvolvimento da carreira da diretora. Não gostei daquele filme dela do submarino russo, com Harrison Ford, que também esteve em Veneza, mas vamos dar um crédito a Kathryn. Sobre a seleção de Veneza, quero acrescentar que lamento muito uma coisa. Em Cannes, anos atrás, havia visto, por acaso, ‘Garagem Olimpo’. Tinha um horário vago, entrei numa das salas do Palais, e tive um choque vendo aquele filme sobre a máquina de repressão montada na Argentina, e que no caso tinha a garagem do título como fachada para uma central de tortura, de onde presos políticos saíam acorrentados para ser lançados ao mar. O horror, o horror… Encontrei mais tarde o Marco Bechis no Rio e ele me falou sobre seu filme ‘brasileiro’, que terminou fazendo com a Gullane. Ia visitar o set, mas perdi a data. Fiquei de telefonar para ele durante o processo de edição, e também perdi o bonde. Só espero que ‘Birdwatchers’ seja bom e que eu possa vê-lo, logo, no Festival do Rio ou na Mostra de São Paulo. Com ou sem Leão de Ouro para acompanhar, mas se for com Leão, melhor.

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