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Tiradentes (3)/Affonso Uchôa e Adirley Queirós, questão de enfoque

Luiz Carlos Merten

22 Janeiro 2018 | 12h08

TIRADENTES – Não estava conseguindo salvar o post anterior, e quando vi havia perdido um pedaço. É importante para mim. Após as imagens de Menino da Calça Branca e Esse Mundo É Meu, vieram, no telão, as de Deus e o Diabo na Terra do Sol. Antônio das Mortes/Maurício do Valle avança naquele vilarejo deserto. O terror do sertão. Glauber podia ser, era gênio, mas a imagem do matador, com sua longa capa escura e o chapéu desabado, não estaria completa no imaginário da gente sem a trilha de Sergio Ricardo. Te entrega, Corisco! Nesta semana, começa aí em São Paulo uma retrospectiva em homenagem aos 90 anos de Ennio Morricone. O que seria de Sergio Leone sem Morricone? Do spaghetti western sem o compositor que o elevou à condição de ópera fílmica? O que seria de Glauber sem Sérgio Ricardo (e Villa-Lobos)? Mudo o rumo da conversa. Nesta segunda à tarde haverá um debate, dentro do ciclo Chamado Realista. Questão de enfoque, de materiais e de postura. Debatedores, Affonso Uchôa e Adirley Queirós, com todos os acentos a que têm direito. É curioso, mas as trajetórias desses dois, um mineiro e outro brasiliense, têm andado juntas. Aqui em Tiradentes, em Brasília. No festival do ano passado – no DF -, um ganhou melhor filme, o outro, melhor diretor. Confesso que tenho preferido os filmes de Affonso – A Vizinhança do Tigre, que me caiu como um raio. Arábia! Mas quero muito ouvir a conversa de ambos, nem me importa tanto o tema. Materiais e postura. Adirley trabalha quase sem recursos, mas com imaginação, no registro da ficção-científica. E ambos não fogem do foco na política. A referência épica a Lula em Arábia, Era Uma Vez Brasília, que se constrói entre o impeachament de Dilma e o cínico discurso de Temer. O Brasil cabe nesses filmes. Vai ser uma conversa instigante – espero.