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Tierra de jinetes

Luiz Carlos Merten

13 de janeiro de 2019 | 15h51

SANTIAGO – Adquiri os ingressos para dois espetáculos que queria muito ver no Santiago a Mil, mas não houve jeito. The New Colossus, a sensação desse festival, sobre o drama dos refugiados, está agotado desde que começaram as vendas online. Tim Robbins e o Actor’s Gang Ensemble. Mas comprei o Labio de Liebre, espetáculo colombiano que fez sensação no país de origem – e vou ver agora no fim de tarde – e Democracia, de Felipe Hirsch, para terça. Ainda estou tentando o Mucho Ruido por Nada, de uma peruana fodona, Chela De Ferrari, que retoma o conceito básico do teatro elizabethano – homens representando mulheres -, mas o faz sem nenhum artifício. São homens, barbudos, sem maquiagem. A diretora, obviamente, está embaralhando os gêneros e, como ela diz no site do festival, ‘estamos trabalhando uma imagem menos estereotipada do masculino e do feminino, para lembrar que o amor não é uma questão de gênero.’ Sábia Chela. O interessante é que fui ver hoje no Centro Cultural La Moneda uma exposição que é o reverso disso. América – Tierra de Jinetes. Os cavalos chegaram à Europa – à Espanha – no século 8, ligados ao esplendor árabe em Granada. Quem os trouxe para a América foi Hernán Cortez, que desembarcou no México com 16 cavalos e éguas, e um potro. Daí deriva a cultura equestre da América. Charro, llanero, chalán, gaucho. A exposição celebra a figura do cavaleiro como representação de virilidade, mas o objetivo não é a celebração de um gênero, mas a discussão sobre territórios e fronteiras. O kaweju, cavalo, inicia uma nova era com sua mobilidade. Cavalos, diligências, cavalos de ferro/trens. Adorei. Fui almoçar no Patio Bellavista, no qual a Lúcia tinha me falado maravilhas sobre um restaurante peruano, o Tambo. Bem bom, e desse jeito eu vou voltar ao Brasil viciado em pisco sour, embora já seja o maior consumidor do drink no Riviera, em frente ao Belas Artes, aonde chego e, no balcão, o barman já corre para me atender. Enfim, cá estou de volta no hotel – onde mais conseguiria postar no meu laptop? Quero ler um pouco – Stefan Zweig, Maria Stuart, antes de correr ao Teatro Municipal de las Condes para a fonción de Labio de Liebre.