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The Wachowskis

Luiz Carlos Merten

06 de setembro de 2020 | 19h28

Falei, no post anterior, da lista publicada por Total Film na edição de julho – The 30 Greatest Movies of Our Lifetime. O número 1 é The Matrix, mas é interessante que, num apêndice sobre Directors of Our Lifetime, sejam listados Christopher Nolan, Paul Thomas Anderson, Barry Jenkins, Damien Chazelle, Guillermo Del Toro e Linne Ramsay, mas não The Wachovskis, como se assinam. Afinal, se fizeram o maior filme, que, na verdade, são três, deveriam estar listados. Eles ainda eram Andy e Larry quando fizeram a trilogia sobre o ‘escolhido’, Neo. Quando surgiu Speed Race, em 2008, Andy permanecia Andy, mas Larry já virara Lana. Creio que, na indústria, até então, a única grande operação de mudança de gênero havia sido a do compositor de Stanley Kubrick, Walter Carlos, quando virou Wendy Carlos. Na época de O Destino de Jupiter/Jupiter Ascending, de 2015, Andy estava seguindo a irmã e iniciando o processo que o transformou em Lilly. Lembro-me de haver tentado entrevistar o filósofo Cornel West quando estreou o terceiro episódio, Matrix Revolutions, de 2003. Creio que, na época, ele estava na Princeton University e era considerado o guru dos Wachovskis, mesmo que o único filósofo citado no filme seja Jean Beaudrillard, quando Neo esconde os disquetes no livro Simulacros e Simulação. O curioso é que consigo ver a questão da transexualidade dos irmãos nas escolhas que fizeram, depois de Matrix. Lembro-me de haver revisto Dois Destinos, o clássico Cronaca Familiare, de Valerio Zurlini, numa programação especial, creio que no mesmo dia em que vi Speed Racer. Devo ter escrito no blog. Speed Racer era o Cronaca Familiare, em formato de blockbuster, dos Wachovskis. O filme deles conta a história de dois irmãos muito próximos e um deles faz uma operação – muda de rosto e identidade – que é irreversível. Senti, ali dentro – de Speed Racer -, uma coisa muito forte e dolorosa, algo como o que se perde (e o que se ganha) em toda mudança e agora à tarde, revendo na Globo O Destino de Júpiter, encontrei de novo, não propriamente uma transformação de gênero, mas o personagem de Channing Tatum é resultado de uma mutação provocada por uma cirurgia, dessa vez, e após muita dificuldade, com direito a final feliz – Lana já era mulher e estava sinalizando para o irmão que daria certo. Não creio que O Destino de Júpiter seja muito bom, ou mesmo bom, mas creio que, como Speedv Racer, retrata na tela um dos casos mais intrigantes – não sei se é a palavra correta – do cinema. Só sei que Lana, de novo com Keanu Reeves, promete um novo Matrix para 2022, a menos que o isolamento da pandemia termine jogando o filme para 2023.