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Teve até #Ele não na cabine do novo Spike Lee

Luiz Carlos Merten

09 Outubro 2018 | 09h28

Fui ontem rever o Spike Lee, Infiltrado na Klan, que a Universal mostrou numa cabine à noite, no Espaço Itaú. Havia gostado do filme em Cannes, e continuei gostando, mas os meus preferidos daquele festival continuam sendo Leto/Verão e o magnífico Nuri Bilge Ceylan, A Árvore dos Frutos Selvagens, que a Turquia está indicando como seu candidato no Oscar. Minha Palma teria saído desse duo, Kiril Serebrennikov ou Ceylan, e diante do impasse eu teria preferido o Spike Lee, não o Hirokazu Kore-eda, Assunto de Família. Infiltrado na Klan conta a história real de Ron Stallworth, policial negro do Colorado que, nos anos 1970, conseguiu se infiltrar na organização racista Ku Klux Klan. Como um negro conseguiu furar o bloqueio da organização que defendia/defende a supremacia branca? Simples, criando uma persona branca. Ron, no filme, são dois – John David Washington e Adam Driver, um ator do qual gosto cada vez mais. O filme é ótimo e Spike Lee avança 40 anos para trazer a história para os eventos de Charlottesville, no ano passado. Você deve lembrar-se. A manifestação Unite the Right foi um protesto conduzido por grupos de extrema-direita contra a remoção do monumento do confederado Robert E. Lee na cidade de Charlottesville, na Virgínia. Na hora H, um carro avançou sobre negros que se manifestavam contra o ato, causando o maior estrago. Aparece o coiso deles, o presidente Donald Trump, num discurso ambíguo que legitima a violência branca. Espontaneamente, a sala do Itaú prorrompeu em aplausos – #Ele Não. Na época de Django Livre, Spike Lee polemizou com Quentin Tarantino e agora o filme dele, produzido por Jordan Peele – de Corra! -, tem uns lances bem divertidos (anti)tarantinescos. As referências aos blaxploitation movies, a Pam Grier e a Tamara Dobson, a Cleópatra Jones, certos acordes à Ennio Morricone na trilha. Gostei muito!