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Territórios expandidos

Luiz Carlos Merten

06 Dezembro 2016 | 09h51

Cá estou, me preparando para ir ver O Vendedor de Sonhos. Espero ser surpreendido, como sempre, mas – sorry Jayme – o trailer era uma coisa horrorosa, de desanimar. Mas vamos lá. “Étonne moi”, como pediu Greta Garbo a Jean Cocteau, ao chegar à sessão de A Bela e a Fera. E ele ‘etonou’, mesmo que, na saída, a grande esfinge tenha pedido – e eu a imagino dizendo, com aquela voz -, “Give me back my beast.” Por falar em trailer, fui pesquisar não sei o quê na rede, agora, e vi um trailer, ou o trailer, de A Múmia, a versão com Tom Cruise. O avião militar que carrega a múmia é atacado por… “What a hell is this?”, pergunta Tom Cruise. Gafanhotos, insetos, sei lá. A cena é, de qualquer maneira, espetacular, e cheia de presságios neste momento em que estamos todos sacudidos por acidentes aéreos. Como se não bastasse a tragédia da Chapecoense, que raio de história mais maluca essa da noiva que queria fazer uma entrada triunfal e o helicóptero caiu a poucos minutos da igreja? Jesus, o horror não termina nunca. Não posso deixar de relatar que começa hoje a mostra de documentários Território Expandido, que trata das relações existentes entre os indivíduos, os grupos étnicos e as comunidades nacionais, em diversos períodos da história contemporânea. O evento, iniciado com Em Jackson Heights ontem à noite, no Belas Artes – e fiz uma grande entrevista com Frederick Wiseman -, prossegue, de hoje a 10,na Unibes Cultural. A grande atração desta terça é Pitanga, seguido de debate com o (co)diretor Beto Brant – Camila Pitanga também tem crédito, mas não estará presente. Embora a discussão não esteja restrita – e já é um campo imenso – à voz do negro no cinema, quero dizer que o assunto ‘negritude’ está na ordem do dia. Na ‘América’, começou com o impacto de O Nascimento de Uma Nação, de Nate Parker, no Sundance, em janeiro, prosseguiu com o protesto contra a ausência de intérpretes negros no Oscar e chega ao fim do ano como tema dominante de importantes publicações dos EUA e da Inglaterra. Cineasate, Film Comment, Sight and Sound, todas estão debatendo o assunto. David Oyelovo é a capa da nova S&S, que traz uma extensa reportagem, Burning Illusions, sobre o reduzido número de astros negros no cinema britânico. Prometo voltar ao assunto, que me interessa muitíssimo, até porque me permitirá falar sobre filmes que fazem parte do meu imaginário, como Safira, a Mulher sem Alma, de Basil Dearden, e Flame in the Streets, do grande Roy Ward e