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Tergiversando, e o Oscar está logo aí

Luiz Carlos Merten

05 Outubro 2018 | 09h50

Faz sentido – no café da manhã de O Primeiro Homem, um dos críticos presentes definiu a nova versão de Nasce Uma Estrela como a mistura de Tudo por Uma Popstar com Coração de Cowboy. Risadinhas à parte, faz sentido. Make sense. Fui com muita sede ao poste e quebrei a cara. Havia gostado bastante do trailer da estreia de Bradley Cooper na direção. O filme é bom, mas não tão bom. Bradley inverte o foco e faz do seu personagem, o Pigmalião bêbado e decadente, o protagonista. Neusa Barbosa considera Bradley péssimo ator e acha que essa sua decisão – o protagonismo – derruba o filme. Eu gosto dele e adorei quando a Academia corrigiu o erro do Globo de Ouro, indicando-o para melhor ator por Sniper Americano, do Clint. Mulheres poderosas. Lady Gaga vira uma estrela, mas tem o manager que a força a colocar bailarinos no show e depois veta a participação do personagem de Bradley – no way. No começo do filme, Bradley não pede opinião de ninguém e põe a garota para cantar com ele. Em Mulher Maravilha, Gal Gadot reúne o grupo, mas quem resolve a parada é Chris Pine. Essas mulheres maravilhosas da ficção hollywoodiana possuem limites, e sabem disso. Esperava mais. Diverti-me com Venom, mas o filme é muito ‘dumb’. O herói que conversa com (e fica amiguinho d)o seu invasor de corpo? Nonsense. E aí veio O Primeiro Homem. Damien Chazelle e Ryan Gosling contam a história do primeiro homem a pisar na Lua. Neil Armstrong. Há 50 anos, Stanley Kubrick criou o mundo asséptico de 2001. As naves de O Primeiro Homem rangem como máquinas velhas, soltam pedaços em seu interior e um curto circuito provoca o incêndio que mata uma tripulação inteira. A anti-epopéia. O homem que foi ao espaço só para chorar (e homenagear) a filha morta. Amei, e chorei copiosamente. Claire Foy – quem é a maravilhosa mulher de Ryan Gosling? Uau! É filme de Oscar, no qual, hoje, votaria, mas entrevistei ontem Sergei Loznitsa e ele colocou nas nuvens o novo Alfonso Cuarón. Disse que é o melhor filme do ano, dos últimos anos. Roma vai para o Oscar? Antes, passa na Mostra, e é o que importa.