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Temporada de prêmios, da APCA ao Globo de Ouro

Luiz Carlos Merten

09 de dezembro de 2019 | 22h02

Estou voltando da votação da APCA. Na verdade, nessas duas horas desde que saí do Sindicato dos Jornalistas na Rego Freitas já fiz um monte de coisas. Jantei, passei na Praça da República para ver os tambores africanos – toda segunda-feira -, peguei um táxi e aqui estou. Tenho coisas para fazer e amanhã pela manhã viajo para o Rio, onde já começou o festival de cinema. Meu primeiro dia será bem agitado. Cabine, entrevistas e à noite a Première Brasil, com Piedade, que já vi em Brasília, mas imagino que a sessão terminará abrigando algum desagravo a Fernanda Montenegro, nossa grande dama que tem sido penalizada pelo governo tresloucado de Bolsonaro, em sua guerra cultural contra os artistas, como sublinha a capas de CartaCapital. Votamos, o colegiado de cinema da Associação, em Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, como melhor filme e direção, e A Rosa Azul de Novalis, de Gustavo Vinagre e Rodreigo Carneiro, para o prêmio especial do júri. Melhor atriz, ex-aequo, para as garotas de A Vida Invisível, Carol Castro e Júlia Stockler, e hoje o filme de Karim Aïnouz já perdeu seu primeiro round, ao não ser indicado para o Globo de Ouro da Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood. Melhor ator para o garoto de Sócrates, Christian Malheiros; melhor roteiro para Aspirantes, e o prêmio para o diretor Ives Rosenfeld e Pedro Freire, que também fez a preparação do elenco, é uma forma de reconhecer a organicidade da escrita, da forma e da representação, o todo compondo uma mise-en-scène brilhante que eu adoraria recompensar, se o prêmio para Kleber e Juliano não viesse coroar/referendar o nosso Coringa, neste ano em que a revolta dos excluídos dominou a cena nacional e internacional, basta juntar Bacurau e Coringa (do Todd Phillips) com Parasita (de Bong Joon-ho) e A Odisseia dos Tontos (de Sebastian Borensztein). O sul-coreano, por sinal, cravou duas indicações importantíssimas no Globo de Ouro – melhor filme internacional e melhor diretor, nessa categoria concorrendo com Quentin Tarantino (Era Uma Vez em Hollywood), Martin Scorsese (O Irlandês), Todd Phillips (Coringa) e Sam Mendes (1917). A Netflix conseguiu cravar três indicações para melhor filme de drama, com O Irlandês, Os Dois Papas (de Fernando Meirelles) e História de Um Casamento (de Noah Baumbach). Esse último obteve o maior número de indicações para cinema – seis -, mesmo não tendo sido indicado para melhor direção. E, aliás, já está liberado na plataforma de streaming. É um filme que quero muito ver. As indicações ainda renderão intermináveis discussões, à medida que os filmes forem entrando, até a festa de premiação em 5 de janeiro. A da premiação ocorre em fevereiro, dia 17, no pré-carnaval e eu muito provavelmente não estarei aqui. A Berlinale começa em 20 de fevereiro – de 20 a 1.º de março – e estou considerando passar antes uns dias em Portugal, com a Lúcia.

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