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Teatrando, Dolores!

Luiz Carlos Merten

29 de agosto de 2019 | 09h14

De volta ao teatro. Na terça fui ver Dolores no Teatro da Memória, do Instituto Cultural Capobianco. Fomos – Orlando Margarido e eu. Na quarta, ontem, mais teatro – na Oficina Cultural Oswald de Andrade, na Rua Três Rios. Zibaldone, uma dramatização de poemas de Giacomo Leopardi, com Adriana Londoño e Clovys Torres, direção de Aymar Labaki. Encontramos Jairo Matos, fomos todos – os cinco – jantar no bistrô da Fernando de Albuquerque, ao lado do Mestiço. Amiga da Adriana, juntou-se à mesa a filha de Renée de Vielmond, Mariana, que foi roteirista de Isolados, aquele filme de Tomás Portella com Bruno Gagliasso. Pode parecer deselegante ficar comparando belas mulheres, mas Mariana, vista de perfil, parecia a versão loira de sua mãe e Adriana me lembrou muito Diane Kruger, a quem entrevistei duas, não, três vezes. Na saída do bistrô, quem eu encontro? Lara Córdulla, a atriz de Dolores. O espetáculo tem texto e direção de Marcelo Várzea. Um quadrado iluminado no chão delimita o palco, espaço mítico em que a protagonista viaja nas suas lembranças dos anos 1950. Dolores foi uma mulher que sofreu muito – que gozou muito, também. Dolores é a história de uma mentira, tão bem contada que, por mais que o espetáculo possa estar evocando experiências reais – algumas são -, o que está em discussão é a máscara. O que é ser atriz, o ofício de representar, o teatro. Lara, que faz seu primeiro solo, foi atriz de O Mal-entendido, o Albert Camus de Ivan Andrade. Conheci o Ivan como assistente de Gabriel Villela e o bruxo mineiro voltou ontem à nossa mesa por meio do Jairo Mattos, que foi ator do Gabriel lá atrás, no Concílio do Amor, e contou histórias muito bacanas, inclusive sobre como deu aulas de trapézio – de circo – ao grande diretor. Como o mundo é pequeno. Enquanto esperávamos pela Dolores, na terça, sentei-me à mesa de João Wadi Cury, colunista de teatro do Estadão e logo juntou-se o Flávio Tolezani, ator de quem? Gabriel Villela!, que formou uma ótima dupla com Dira Paes na anterior novela das 7, Verão 90. Tolezani deu-me notícias da mulher, Natália Gonsales, que foi atriz da peça de Dib Carneiro Neto, Pulsões. Natália ensaia atualmente um Nelson Rodrigues – O Beijo no Asfalto – e só para permanecer nas coincidências um Nelson puxa outro. Daniel Filho filmou o Boca de Ouro, que Gabriel Villela dirigiu no palco, recentemente, com Malvino Salvador. Será o terceiro Boca do cinema, após as versões de Nelson Pereira dos Santos, com Jece Valadão, e Walter Avancini, com Tarciso Meira. O Boca de Daniel Filho é o Marcos Palmeira e o filme, que tem Malu Mader como Guigui, estará no Festival de Miami, em setembro. Que roda viva! Para finalizar – vejam Dolores. Lara Córdulla domina o palco com sua forte presença. E vocês não vão acreditar. Em frente ao Instituto Capobianco tem um centro de umbanda no estilo baiano. Tambores na noite. Fiquei doido com o som dos atabaques. E o interessante é que na Oficina Cultural Oswald de Andrade tem uma exposição de xilogravuras, Obirinxá, celebrando as iabás – orixás femininos.

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