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Suzana!

Luiz Carlos Merten

28 Janeiro 2015 | 10h04

TIRADENTES – Não me lembro desde quando conhecia Suzana de Moraes. Provavelmente desde que comecei a participar de eventos de cinema brasileiro, no Rio. Não a conhecia de forma a me intitular amigo, e até nem sabia que há 26 anos – uma vida! Uma geração! -, ela era companheira de Adriana Calcanhoto. Mas a verdade é que quando Dib Carneiro me falou da morte dela – estávamos jantando num novo restaurante daqui, o Cachondeo, espanhol, muito bom -, me bateu uma tristeza profunda. Me lembrei da jovem Suzana, aos 30 anos, atriz de Miguel Faria Jr. em Pecado Mortal, quando ele fazia, antes que fosse moda, aqueles filmes narrados em blocos de planos-sequências. A decadência de uma grande família. Surgem os casos de incesto, lesbianismo, adultério, suicídio, cada um tratado numa cena, que era levada ao limte (do tempo como da intensidade dramática). Vi o filme no antigo Cinema Um, que depois virou Vogue, na Independência, e depois fechou. A censura mutilara a obra, mas permaneciam fragmentos perturbadores. E eu acho, tenho quase certeza, que Suzana era só Moraes, naquela época. O ‘de’ veio depois. Anos mais tarde, encontrei os dois no lançamento de Vinicius, documentário sobre o pai de Suzana, Vinicius de Moraes, que ela produziu e ele dirigiu. Suzana tinha uma voz grave que casava bem com sua silhueta e com certeza ajudou a construir sua persona de mulher bela e elegante. Era culta e, embora nossos contatos tenham sido superficiais, carinhosa. Fiquei realmente triste. Esse post, embora pequeno, é minha homenagem a ela.