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Suspiria, agora por Lucca Guadagnino

Luiz Carlos Merten

11 Dezembro 2018 | 08h47

Assisti, na época, início dos anos 1970, aos primeiros filmes de Dario Argento – O Pássaro das Plumas de Cristal, O Gato de Nove Caudas, Quatro Moscas no Veludo Cinza. Imagino que muitos de vocês – a maioria? – nem eram nascidos. Depois, tive um hiato na minha vida de jornalista de cinema e não sei se foi por isso que perdi Prelúdio para Matar/Profondo Rosso, Suspiria e A Mansão do Inferno, talvez seus filmes mais famosos. Profondo Rosso e Suspiria recuperei em Cannes, nas homenagens que o festival prestou ao pai de Asia, exibindo seus filmes restaurados em Cannes Classics. Suspiria é uma extravagância. A garota que quer ser bailarina, o rígido internato de Madame Blanc, os assassinatos brutais – o pianista cego destroçado por seu cão guia. O horror, o horror. Quando entrevistei Lucca Guadagnino por Me Chame pelo Seu Nome, desde a primeira vez – foram três, só por aquele filme -, ele contou que, há muitos anos, seu projeto de vida era o remake, o reboot?, de Suspiria. De tanto sonhar, já tinha o filme pronto na cabeça – as três dores, a mãe das lágrimas, dos suspiros e a das trevas. Me Chame foi quase um acidente de percurso, a tiny film que praticamente caiu em seu colo devido à amizade com James Ivory, que escreveu o roteiro. Me Chame pelo Seu Nome lhe deu projeção internacional, fez sucesso de público e crítica, foi para o Oscar. Ivory, velhinho, um ícone gay, com todos aqueles filmes militantes no currículo, ganhou sua estatueta (de roteiro adaptado) e Timothée Chalamet foi indicado para melhor ator, prêmio que um monte de gente diz que dessa vez ele vai ganhar por Beautiful Boy. Guadagnino agradece a seu pai – irresponsável, pelos standards de hoje – que lhe permitiu ver Suspiria e Psicose quando tinha 8, 9 anos. Os filmes ficaram com ele, cresceram dentro dele e o fizeram querer ser cineasta. Guadagnino fez seu Suspiria, expandindo o universo de Argento. O novo Suspiria já está sendo objeto de um culto, como o original. Todo Argento está no Guadagnino, mais Tilda Swinton, que refaz Madame Blanc, e com direito a uma hora de acréscimo de material para criar o clima (e o horror). O próprio Argento viu, e aprovou. Confesso que estou louco para ver Suspiria. A força do cinema de gênero, uma das minhas expectativas para 2019, que já está batendo à porta.