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Surpresa!

Luiz Carlos Merten

09 de dezembro de 2012 | 13h35

Ontem, acordei tarde e gastei muito tempo na minha manhã comprando coisas de que necessitava – meias! Passei com Angel, a buldogue da Lúcia, fui almoçar e já era de tarde. Fui conferir a programação do PlayArte Marabá e lá estava ‘A Sombra do Inimigo’. Que raio de filme é esse? Rob Cohen, de ‘Triplo X’ e ‘Velozes e Furiosos’ (o 1), o dr. Alex Cross, criado por James Patterson e interpretado por Morgan Freeman em outros thrillers (‘Beijos Que Matam’ e ‘Na Teia da Aranha’). O dr. Cross é agora Tyler Perry e o filme ainda tem Matthew Fox, de ‘Lost’, que nunca vi (uma falha, um monte de gente me garante) e Edward Burns. Confesso, o que pode parecer espantoso para vocês, que nunca havia ouvido falar de ‘A Sombra do Inimigo’ nem sei quando entrou, se foi sexta ou já estava em cartaz, só sei que gostei de ter visto, e olhem que tomei um choque ao descobrir que era dublado. É perfeitamente legítimo que os filmes passem dublados (na França, Alemanha, Itália, Espanha, em praticamente toda a Europa os filmes são dublados), mas eu vou morrer achando que se trata de uma perda para nós, cinéfilos brasileiros (e a PlayArte tem sido particularmente… Que adjetivo vou usar?… na concessão do que pensa ser a aspiração do público). Essa horrorosa aceitação/imposição da dublagem não é só resultado da ascensão das classes C e D, mas tem a ver com uma nova realidade do mercado. O filme dublado, o celular ligado, a dispersão da plateia, tudo está no mesmo movimento e é o mundo, o mar que não está para peixe. Deixando de lado a reclamação, Matthew Fox é um ator muito esquisito. Tem um tipo misterioso, viril, era o objeto de desejo de boa parte da plateia, senão toda, que via ‘Lost’, mas no cinema o cara faz escolhas esdrúxulas. Ele obviamente emagreceu, ficou pele e osso para fazer o sociopata The Butcher de ”A Sombra do Inimigo’, que é um dos vilões mais cruéis do cinema recente, na linha do Kevin Spacey de ‘Seven’, Os Sete Crimes Capitais, de David Fincher. Achei a ‘dramaturgia’ bem intgeressante, as perdas experimentadas por Tyler Perry e Edward Burns e, embora a dublagem em geral crie um efeito de distanciamento para mim – não sei como explicar, mas o som do filme fica diferente -, tomei um choque na colisão de carros no final, como se realmente estivesse dentro de um dos veículos. (Rob Cohen adora essas cenas de impacto, como sabe o público de ‘Triplo X’ e ‘Fast and Furious’.) Gostei muito de Tyler Perry, mas tenho de admitir que ele não existia na minha galáxia. Fiquei surpreso ao pesquisar e descobrir que é ator, roteirista e diretor, e que há três anos foi listado pela Forbes como o sexto astro mais bem pago de Hollywood (hein?). Volto a Nova York nesta semana para a junket de ‘Django Unchained’, de Quentin Tarantino, e quero ver se aproveito para comprar os DVDs dele, ‘I Can Do Bad All by Myself’, ‘Diary of a Mad Black Woman’ e ‘For Colored Girls’. O cara é bom mesmo como me pareceu? O que vocês me dizem?

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