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Subiela! Birri!

Luiz Carlos Merten

10 de junho de 2013 | 09h32

Fui ontem ao Rio, bate e volta, para assistir a Paisajes Devorados no CineSul e finalmente apertar a mão de Eliseo Subiela, a quem já havia entrevistado por telefone. Entre o filme, que me encantou, e o ‘placer’ de conhecer um mito do cinema latino-americano, houve um debate com o autor. A plateia era predominantemente de coroas, muita gente da geração poncho y conga, que se mantém fiel a velhos conceitos de revolução e ainda se ouriça quando o assunto cai na liberdade de imprensa e aí, logicamente, a briga de Cristina Kirschner com o grupo Clarín divide a plateia (como dividiria se o ‘caso’, em discussão, fosse o de Veja no Brasil). A propósito, não li a capa de Veja sobre José Dirceu e a transformação do jovem idealista em monstro, mas vi a revista na banca e me chamaram a atenção as chamadas – sequestrou, mudou de identidade e chantageou Lula. Presumo que tenha sequestrado e troca do identidade quando era um jovem ideaslista – afinal, paras sobreviver durante a ditadura militar… – e que tenha chantageado Lula no mensalão, mas a maneira como a revista trata esse comportamento (nem é preciso ler o texto) é para mostrar que não é gente de bem (umj sujeito que faz tudo isso). De bem, por sinal, eram os assassinos de Júlio César (Shakespeare) e os mafiosos, que assim se intitulam. Muito curioso. Mas, enfim, gostaria muito que o Festival Latino-americano, ou o Ademar Oliveira, ou o Jean-Thomas Bernardini trouxessem Paisajes Devorados a São Paulo. Subiela fez piada. Disse que, aos 17 anos, rodou seu primeiro filme num instituto psiquiátrico de Buenos Aires. Aos 37, 20 anos depois, voltou àquele local para fazer Hombre Mirando al Sudeste e mais 20 anos, aos 57, para Paisajes. Aos 77, eles me deixam trancado, brincopu. Paisajes é um falso documental sobre um trio de estudantes de cinema que realiza seu TCC, trabalho de conclusão de curso, sobre um interno que diz ter sido cineasta, Rémoro. O papel é interpretado por Fernando Birri e se você não sabe quem é, pode desistir do post. Subiela não fez o filme – com seus alunos da escola de cinema, em Buenos Aires – pensando em Birri, que vive em Roma, mas quando procurava o ator ele estava em Santa Fé, onde também tem uma escola de cine, e Birri se dispôs a participar da aventura. Tudo é completamente escrito, nenhuma improvisação, mas existem falas do diretor dentro do filme que são de Subiela, como poderiam ser do autor de Tire Die e Los Inundados e eu confesso que me emocionei – muito! – com o Birri velhinho, aquelas longas barbas brancas, olhando para uma parede branca onde supostamente está passando um filme (que só ele vê). Subiela disse que o amor, a morte, a loucura são os temas de seu cinema, verdadeiras obsessões e o catálogo do CineSul traz um texto cuja versão original, em espanhol, você encontra em www.eliseosubiela.com. Na saída, Leo Gavina, o sr. CineSul, me disse que Paisajes já passou, com grande sucesso, em Porto Alegre. Onde mais? Na Argentina, o filme estreia em julio. Ando louco para volver a Buenos Aires. Quién sabe?

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