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Sua incelença, Gabriel

Luiz Carlos Merten

25 de julho de 2012 | 10h41

Já disse aqui que uma das grandes aquisições de minha vida, nos últimos anos, foi a amizade de Gabriel Villela. Conheci-o por intermédio de Dib Carneiro Neto, que montou ‘Salmo 91’, a peça que meu amigo adaptou do livro ‘Estação Carandiru’, de Drauzio Varela. Gabriel é homem de cultura, um erudito que consegue falar de tetro, literatura e cinema, além de vida, com uma propriedade que algumas pessoas, inclusive e principalmente no meio jornalístico, acham que possuem, mas não tem (e deveriam se tocar disso). Respeito muito o Gabriel, independentemente de gostar mais ou menos dessa ou daquela montagem. Ele virou um farol na minha vida como já foram Jefferson Barros e José Onofre, no passado (e ambos os meus amigos estão mortos, agora). Por isso mesmo, lavro meu protesto. Não sei se as pessoas se deram conta – as da área, com certeza, não -, mas Gabriel deve ser o único diretor na história do teatro brasileiro e, talvez, mundial, que, a partir de hoje, terá três montagens de Shakespeare em cartaz numa mesma cidade, e estou falando de São Paulo. ‘Ricardo III’ e ‘Romeu e Julieta’, na Mostra Sesc de Artes, vêm se somar a ‘Macbeth’, em cartaz no Teatro Vivo. Entendo que algumas pessoas possam não ter gostado de ‘Macbeth’, mas a interpretação de Cláudio Fontana como lady, com aqueles véus que dão ritmo ao movimento (e ao próprio espétáculo) é um trabalho de composição que me parece extraordinário e só tem paralelo na (H)écuba de Walderez de Barros em outra montagem do próprio Gabriel. Shakespeare barroco não é nenhuma invenção, mas o diálogo com o teatro japonês é muito interessante, e bastante mineiro, como o diretor, vide o casamento, aparentemente díspar,  na capela do Ó, que todo mundo deveria visitar pelo menos uma vez na vida. Walderez, voltando a ela, ainda não ganhou nenhum prêmio de interpretação, gente maluca, não? Tudo bem, discutam o ‘Macbeth’, do qual gostei mais na segunda vez que o vi. mas ‘Sua Encelença, Ricardo III’, com os Clowns de Shakespeare, que vi em Natal e Santiago, ovacionado por diferentes plateias (de diferentes culturas) é magnífico e o ‘Romeu e Julieta’, que ainda não vi, foi sancionado no próprio Globe, na Inglaterra. Dib estava lá, em maio, e contou que foi emocionante – Gabriel já montara a peça no local, no passado, com outro elenco do Grupo Galpão. Uma conversa sobre todos esses Shakespeares, no plural, feitos com diferentes grupos (um de bonecos!), me parece que seria bem interessante. Acho.

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