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Sou Chape!

Luiz Carlos Merten

29 de novembro de 2016 | 23h06

Tenho, admito, uma relação sui generis com o esporte, e com o futebol. Fui redator de esportes, em Zero Hora. Foi um período de minha vida pelo qual tenho imenso carinho. Conheci pessoas maravilhosas. Nem sei onde andam. É o que dá não estar inserido nas redes sociais. Sou Inter, sempre fui, mas não tenho alma de torcedor. Se o adversário joga melhor, não esquento a cabeça. Sou capaz de gostar do documentário sobre o Grêmio, o que prova que meu amor pelo cinema é maior que pelo futebol. Vivi hoje um pesadelo. Não sou de Chapecó, não torço pela Chapecoense, mas torceria, se não fosse contra o colorado. Seria verde, mas não ‘verdão’. Palmeiras, jamais. Havia visto, num sábado pela manhã, num desses canais de esportes, um especial sobre a campanha internacional do time catarinense. Me encantou a juventude dos jogadores e a ligação deles com a cidade. Por que? Todos esses mortos, e os sobreviventes… Nessas horas, gostaria de acreditar. Encontraria, talvez, conforto. Adoro visitar igrejas. Domingo, no Rio, fui à Candelária, que fica pertinho da sucursal do Estado. Mas tenho esses pensamentos profanos. O Senhor, se existe, c… pra gente. Deu-nos o livre arbítrio, e f…-se, vocês (‘nós’) aqui embaixo. Qual é o sentido de deixar ocorrerem essas tragédias? De deixar um animal como Feliciano invocar seu santo nome em vão? Ando deprimido, reconheço. Poucas coisas me produziram tanta revolta como aquela entrevista do presidente Michel, ladeado pelos presidentes da Câmara e do Senado, no domingo. Isso, sim, me parece o horror, o fundo do poço. O cinismo descarado, e ilimitado. Temos tão pouca coisa para acreditar, para vibrar. O time pequeno da Chapecoense, alçado entre os grandes, era um desses signos de que as coisas são, sim, possíveis. Um modelo de gestão empresarial, e esportiva. Vamos ter de começar de novo. Talvez seja esse o sentido mítico. Prometeu, Sísifo. A validade do esforço, a inevitabilidade do fracasso – John Huston. Não sei se estou sendo coerente. Estou arrasado. E não consigo deixar de pensar nos Mamonas Assassinas. A alegria do Dinho, eternamente jovem. E brincalhão. Certa está a Warner do Brasil, que cancelou a estreia, nesta quinta, do novo Clint, Sully. Seria muito cruel ver, na ficção, o piloto Tom Hanks salvar aquele avião, seus passageiros e tripulantes, quando, na realidade, o que tivemos foi essa perda imensa.

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