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Sofia Coppola desistiu onde Rosane Svartman está conseguindo

Luiz Carlos Merten

22 de julho de 2017 | 09h33

Sofia Coppola estava sendo contratada pela Disney para fazer a versão live action de Pequena Sereia, mas bateu pé que só faria o filme debaixo d’água. Em Hollywood, disseram que era impossível e ela caiu fora. Sofia bem poderia ter tido uma conversa com Rosane Svartman. Já havia visitado, no Rio, a primeira fase do set de Pluft, o Fantasminha. Tentando criar a mobilidade e transparência do personagem cultuado de Maria Clara Machado, Rosane teve essa ideia aparentemente maluca. Filmar os fantasmas debaixo d’água! E em 3-D. É o que ela está fazendo na piscina de treinamento da escola de bombeiros de Franco da Rocha. Cheguei lá e Fabíula Nascimento, como mãe fantasma, rodava uma cena dentro do piscinão. Incrível! Ela respirava por aparelho, interrompia, filmava falando e fazendo gestos de um jeito que não produzisse bolha, voltava ao aparelho. Fantástico, extraordinário. O garoto que faz Pluft foi escolhido por concurso. É o Gavroche do musical Les Miserables. O moleque parece um peixinho. E a Fabíula, feliz da vida – ‘Sou atriz até debaixo d’água, meu amigo!’ Com certeza. Confesso que fiquei emocionado. O cinema brasileiro pode não ter tanto dinheiro como Hollywood, mas tem empreendedores como Rosane. Todo aquele set com mergulhadores obedece a cuidados muito rigorosos. A água tem de ser transparente, o nível de cloro é constantemente avaliado por causa dos olhos abertos dos atores e, mesmo que a piscina seja aquecida, a baixa temperatura dos últimos dias levou a cuidados adicionais para salvaguardar o garoto. Encantei-me com ele. Toda aquela gente paparicando o menino – até a alimentação é especial – e ele supertranquilo. Estava louco para fazer o filme, mas não queria desistir do musical. Está conseguindo conciliar – Gavroche só no fim de semana, hoje e amanhã. E, na escola, está de férias. Dou a pista (Les Miserables), mas guardo o nome e a foto para a matéria do impresso. Me aguardem! A filmagem termina no começo da semana, essa parte da produção vai para sete semanas de edição, juntando com a parte anterior e, depois, Pluft ingressa na pós-produção, na O2, que deve durar um ano. Estará pronto no final de 2018. Brinquei que a estreia vai bater com a da nova Mary Poppins, mas a produtora Clélia Bessa não quer nem saber. Há 14 anos, em 2003, fui a Los Angeles na junket de Procurando Nemo e entrevistei o próprio John Lasseter, que me explicou como a Pixar havia criado tecnologia para animar o fundo do mar. Rosane, Clélia e a equipe delas criaram agora uma tecnologia inédita no mundo. Artesanalmente, com mais inteligência que recursos, inventaram até um jeito de iluminar a cena no fundo d’água, evitando os prismas de luz que se formam da superfície. E a história de Pluft é tão linda! Ainda não vi e já gostei. Só espero viver para confirmar.