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Socorro! O mundo está abrindo mão de pensar

Luiz Carlos Merten

02 Janeiro 2019 | 22h57

Como não tenho celular e estou fora das redes sociais, acompanhei à distância, por meio de relatos de terceiros, o processo das fake news que levou à eleição do Mito como presidente do Brasil. Somente hoje fui ler/ver a edição de fim de ano de CartaCapital, com o título O Elogio da Loucura estampado na capa. Tenho gostado dos textos de Nirlando Beirão, mas ele se superou com O Fardão dos Lunáticos, citando personalidades que deveriam vestir a obra de um louco certificado, Arthur Bispo do Rosário. O agora presidente, Sérgio Moro – este, com a foto invertida -, Janaína Paschoal, a Medusa do Supremo, Carmen Lúcia, seu colega Dias Toffoli, Carlos Vereza, Olavo de Carvalho, o Napoleão do hospício, etc. Pulando algumas páginas, chegamos ao portfólio, Gente de Bem, com as fotos de brasileiros que foram às ruas fazer campanha. Algumas me chocaram – uma garota segurando um cartaz, Ustra Vive!, outra de um sujeito com a camisa verde-amarela, mas a estampa gringa, trumpiana, Make Brazil Great Again, e um grupo que faz sinal de disparar segurando a bandeira de Israel. Não aprenderam nada nos campos de extermínio, estão aí (felizes) com a extrema direita. Adonai, Adonai, teu povo (Eleito?) enlouqueceu. Por que estou acrescentando esse post? Ainda não terminei de ler A Morte É um Dia Que Vale a Pena Viver e emendei com O Mundo Que não Pensa, de Franklin Foer, listado pelo The New York Times e pelo Los Angeles Times como um dos 100 mais notáveis e importantes livros de 2017 e editado este ano no Brasil pela Leya. O subtítulo é bem chamativo – A Humanidade Diante do Perigo Real da Extinção do Homo Sapiens. The rise of the Planet of the Apes. A tese do autor, que foi editor chefe da The New Republic e escreveu o best seller Como o Futebol Explica o Mundo, é que o monopólio criado pelas corporações do Vale do Silício está desenvolvendo um tipo de homem-máquina, robotizado, que abre mão do livre-arbítrio e pensa e age segundo padrões pré-estabelecidos. O que comprar, que amigo adicionar à sua vida, como passar o tempo livre, o que pensar sobre o mundo e em quem votar para presidente. Parabéns! Em nome da modernidade e escravizado pelas verdades fabricadas dos grandes players dos conglomerados tecnológicos, o homo sapiens está desistindo da própria inteligência e aderindo ao espírito de manada. Modernidade, uma ova. O fardão dos lunáticos cabe na garota que incensa Ustra e no bofe que defende o ‘Brazil’ (para os norte-americanos), sentindo-se patriota. Estou escrevendo isso sabendo que pouquíssima gente vai ler. Sem foto e sem tags, sem redes sociais, meus post escapam aos algorítmos do Google e do Face. Sou um marginal, e mesmo assim me surpreendo porque sempre encontro gente que leu meus textos e vem comentá-los. OK, o livro de Franklin Foer é teoria da conspiração total, mas, se você não acha que o aquecimento global é uma invenção do comunismo para deter o progresso, pode muito bem dar-se conta de que os argumentos de Foer são consistentes e talvez, talvez!, valha a pena resistir ao rolo compressor da individualidade que está sendo praticado pelos gigantes agrupados pelos europeus na sigla GAFA (Google, Apple, Facebook e Amazon). Sabem onde isso vai dar na fantasia? No Império. É bom irmos formando nossos jedis desde agora.