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Socorro! É a ditadura do mercado

Luiz Carlos Merten

01 Dezembro 2018 | 09h47

Vivo essa contradição que me dilacera – sou o cara capaz de identificar autoria em blockbusters, mas gosto até demais de filmes miúras. Meus melhores filmes do ano, e não apenas brasileiros, são o Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans, e Antes do Fim, do Cristiano Burlan. São filmes desse tamanhinho, em termos de mercado, mas gigantes, do ponto de vista artístico e autoral. Gostei muito – muito! – de Homem-Aranha no Aranhauniverso, que estreia em janeiro, possivelmente, ou com toda certeza, num grande circuito. Acredito que, pela data, 11 de janeiro, esse circuito talvez não seja acachapante porque já será temporada de Oscar e o prêmio da Academia de Hollywood sempre garante boas bilheterias, o que faz com que distribuidores e exibidores lhe estendam o tapete por isso. Mas estou alarmado com uma informação que recebi. Quando Manoel Rangel estava à frente da Ancine, o governo, no final de 2014, limitou as salas de blockbusters a 35% do mercado. Soube agora, e tentei confirmar, mas não encontrei subsídios na internet, que a medida teria sido revogada para beneficiar os filmes chamados de arrasa-quarteirão, e que poderão agora ocupar todo o mercado, se quiserem. Faz todo sentido, porque no novo Brasil que se descortina no horizonte o social não será prioridade e sim, o mercado. Por mais que goste de filmes grandes, quando são bons – Jurassic World/Reino Ameaçado e Homem-Formiga e a Vespa achei ruins -, preocupa-me o que vai ocorrer com os pequenos. Dentro desse espírito, li na CartaCapital desta semana que Sérgio Sá Leitão, responsável pelo desmonte do MinC, despediu-se premiando com a ordem do mérito o produtor Bruno Wainer e o ator Carlos Vereza. Espero não estar sendo injusto, mas o que Vereza fez de mais notável, recentemente, para merecer a medalha – e há controvérsia se isso vale -, foi o apoio ao presidente eleito. Revelador, sem dúvida.