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Socorro! A Rua dos Pinheiros pegou fogo

Luiz Carlos Merten

07 de junho de 2020 | 20h24

Fiquei à tarde redigindo meus clássicos. Revisando o texto de Johnny Guitar, escrevendo o de Corpo Ardente, de Walter Hugo Khoutri, mais um brasileiro da minha lista. Moro aqui em Pinheiros, na Joaquim Antunes. Lá pelas tantas o helicóptero da segurança estava parado quase em cima do prédio em que moro. Havia a passeata pró-Bolsonaro na Paulista, em frente à Fiesp, o que faz todo sentido. A contrária, em defesa da democracia, no Largo da Batata, onde já se reuniam em 2018 os partidários do #EleNão. Desci para conferir e na esquina da Rua dos Pinheiros havia dois carros do Choque, aqueles camburões que parecem tanques, viaturas e mais policiais que o meu olho alcançava. Não era preciso nem juntar 2 + 2 para chegar a 4 e concluir que aquilo ia feder. Estou sintonizado na GloboNews e o comandante da operação – o pau correu solto, houve vandalismo, bombas de efeito moral – acusou um grupelho, aqueles mesmos, agora sou eu dizendo, que já haviam levado ao paroxismo os protestos contra o aumento do ônibus em 2013, quando começou toda essa m… da qual tirou proveito a camarilha que atravessou o impeachment para tomar o poder. Entrei na teoria da conspiração, reconheço, mas no Brasil anda difícil fugir dela. Entendo que havia um protocolo com os organizadores do protesto em Pinheiros. Ok, mas era um protesto (pacífico) contra o racismo e o que estamos vendo na TV todo dia – em Washington, Nova York, Mineápolis, Londres, etc – são marchas como a de Selma. O sentido do BLM é a marcha, isso já vem lá do Dr. Martin Luther King. Não sei se chegariam à Paulista, se haveria confronto, mas o choque com o Choque, aquele paredão montado na Rua dos Pinheiros, iria ocorrer com ou sem grupelho, incentivado pelos gritos de ‘Fora!’ e pelo panelaço nos prédios. Era ruído demais, a população inteira de Pinheiros protestando – quem estava a favor calou-se -, para manter a coisa ordeira. Reclamei no post anterior da intimidação que os democratas estão/estamos sofrendo. As reações atingem a falta de transparência que o Governo Federal, ‘essa gente’, está querendo aplicar para tentar conter, na marra, os números da Covid. Nem o Trump quer mais saber do Brasil. Com o povo na rua, parece, enfim, que as coisas estão mudando. E São Paulo, a Rua dos Pinheirtos, virou o epicentro do Brasil que reage.

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