As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Sobre futebol, e cinema

Luiz Carlos Merten

14 de julho de 2014 | 10h03

Foi um jogaço, Técnica contra garra, e ganhou a primeira. A Alemanha teve o melhor time dessa Copa, sem dúvida. O tetra deles foi o resultado de um longo trabalho, perfeito. Todos os assim chamados comentaristas nos lembraram isso e assinalaram que um novo conceito de futebol veio à luz e se consolidou no Brasil, em 2014. O time sem posições etc. Por pouco tudo isso não foi pro brejo. Todo mundo dizia que a Argentina ia cair em campo, extenuada após a partida contra a Holanda, enquanto a Alemanha vinha fresquinha. Não sei de onde os argentinos tiram gás, mas eles tiram. São guerreiros. E se Messi tivesse acertado aquele gol, a cantilena da mídia seria outra. A exaltação do craque, do ‘velho’ futebol. Mas a verdade é que a imprevisibilidade do futebol sempre foi o grande fator de atração desse esporte. E não é de hoje que existem duas concepções, duas escolas. No próprio futebol brasileiro, sempre houve uma radical divisão dos apaixonados entre Garrincha e Pelé. Pelé, nosso rei, foi o atleta do século. O atleta, não necessariamente o melhor jogador. Garrincha, o melhor? As pernas tortas, a boemia. A escolha é pessoal. Duvido que alguém vá convencer a quem quer que seja, num quesito tão volátil. Pelé é gênio, Garrincha foi, contra tudo e contra todos, principalmente contra ele mesmo, outro tipo de gênio e Maradona, que é um terceiro gênio, é mais Garrincha que Pelé. E segue a imprevisibilidade… ‘Rames’, o artilheiro do Copa? Com a Colômbia eliminada lá atrás? É muita informação para processar. Volto ao cinema. Fui rever ontem Viva a Liberdade, de Roberto Andò, com Toni Servillo e Valerio Mastrandea. Gostei mais ainda, mas o que me encantou foi uma coisa que já havia percebido, claro, e não sei se Luiz Zanin assinalou na crítica dele no Caderno 2 (fiz a abertura da página, em cima do Servillo). O gêmeo, o irmão louquinho do político, vira sensação midiática e conquista o público por seus aforismos. Ele nunca diz nada concretamente, quando interpelado. Retorna a pergunta para quem a fez, mas avança um ponto,e nisso se assemelha a Chance, o Peter Sellers de Muito Além do Jardim, de Hal Ashby, que segue sendo um filme farol, até para o italiano Andò. E agora estou indo paras a cabine de Planeta dos Macacos – O Confronto.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: