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Só uma palinha de Amor e Amizade…

Luiz Carlos Merten

06 de agosto de 2016 | 10h10

Em Nova York assisti também a Amor e Amizade, que Whit Stillman adaptou de Lady Susan, de Jane Austen. Adoro razão e Sensibilidade, de Ang Lee, e principalmente Orgulho e Preconceito, com aqueles brilhantes planos sequência que são a marca do diretor Joe Wright. Já disse aqui que amo Jane Austen e que os livros dela, com sua fina ironia, são análises muitn ricas da sociedade georgiana da regência. O então Príncipe de Gales, George IV, substituiu seu pai e esse período de transição faz a ponte entre o período georgiano e o vitoriano, quando a Inglaterra evoluiu de uma sociedade agrária para a modernidade. Jane era interiorana, pertencente à pequena nobreza. Escrevia sobre seu meio social, sobre aristocratas arruinados e a condição da mulher, que, via de regra, só podia ascender socialmente pelo casamento. É o tema de seus livros, o casamento. Alguns críticos (literários) a consideram conservadora, mas cada vez seus quiprocós românticos são vistos como dramatização do pensamento de Mary Wollstonecraft sobre a educação da mulher. razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito são sobre irmãs dedicadas (Emma Thompson e Keyra Knightley) que fazem de tudo para garantir boas uniões às irmãs caçulas, mesmo que isso represente sacrifício para elas, mas, no final, dá tudo certo. Amor e Amizade é um pouco diferente porque Lady Susan não é boazinha como Emma e Keyra. Perlo contrário, é uma peste que tem um duplo programa. Aristocrata, boêmia, ela quer casar a filha com um nobre rico e idiota, e também recuperar o ex-amante casado, e as duas coisas ela faz num movimento perfeito, passando feito trator sobre os sentimentos das pessoas ao redor. Lady Susan tem uma amiga americana, que faz as vezes de sua confidente, e as duas são interpretadas por Kate Beckinsale e Chloë Sevigny, que já formavam a dupla de outro filme de Stillman, Last Days of Disco/Os Últimos Embalos da Disco, sobre amigas editoras de Manhattan em busca de amor (e delas mesmas) na noite nova-iorquina contemporânea. Muda a época, mas a nova jornada das heroínas de Amor e Amizade não é tão diferente, como vocês vão poder conferir quando o filme for lançado. Chloë é atriz e designer de moda, tendo recebido um Globo de Ouro pela série Big Love, que eu não tenho a menor ideia do que trata, mas a conheço muito bem pelos filmes. Chloê fez a garota portadora de HIV que é estuprada em Kids, de Larry Clark, e na sequência foi aquele tititi, quando fez sexo oral no ator e diretor Vincent Gallo numa cena-chave de The Brown Bunny. Kate, eu acho o máximo e até hoje tento entender como a Academias preferiu atribuir o Oscar de coadjuvante para Cate Blanchett, por sua Katharine Hepburn, quando Kate, como Ava Gardner, é a única coisa para a qual consigo ter olhos em O Aviador, um mau (Martin) Scorsese com Leonardo DiCaprio como Howard Hughes – e eu prefiro mil vezes Os Insaciáveis, que Edward Dmytryk fez com George Peppard (e Carroll Baker como Jean Harlow), baseado no best seller de Harold Robbins, em 1963 ou 64. Poderia continuar tergiversando sobre como ‘Leo’ consegue dar legitimidade a remakes disfarçados de filmes muito melhores, Scorsese e Dmytryk, e o Alejandro González-Iñarritu de O Regresso, consagrado com uma chuva de Oscars, incluindo melhor filme, ator e diretor, mas bem (muito) inferior a Fúria Selvagem, de Richard C. Sarafian. Mas, enfim, é perda de tempo. O post é sobre Amor e Amizade, e ao filme voltarei, quando estrear.

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