As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Smaug e a desolação do amor de Tauriel e Kili

Luiz Carlos Merten

12 de abril de 2020 | 16h32

Vários dias sem postar, mas, de verdade, tenho me mantido ocupado com a série Clássicos do Dia. Desde sexta escrevi textos sobre Jules e Jim, Clamor do Sexo, Cidadão Kane e De Crápula a Herói, mais o material para o jornal, o impresso. Tive de aderir ao vimeo, vendo filmes para fazer entrevistas – o búlgaro O Pai foi o mais recente. Continuo cabeça dura, dispensando as séries. Em DVD ou na TV paga, tenho feito minhas (re)descobertas. Perto do horroroso Julieta dos Espíritos, Roma é uma obra-prima de Federico Fellini. E o que dizer do Hobbit? Depois do monumental o Senhor dos Anéis, era outro projeto de Peter Jackson adaptado de JJR Tolkien, mas originalmente seria dirigiodo por Guillermo Del Toro. Depois de idas e vindas, Del Toro desistiu e Jackson, com a produção andando, e muito dinheiro investido, asssumiu a direção. Revi ontem A Desolação de Smaug e fiquei siderado. Jackson usou motion capture para ‘comprimir’ atores de estatura normal e criar os anões, e também recorreu à técnica para esculpir, a partir de Benedict Cumberbatch, o dragão. Até aí, tudo bem, mas e os movimentos de câmera? Parece que todo o filme foi feito no computador. É vertiginoso. Confesso que tudo isso é muito impressionante, mas lá pelas tantas eu estava ligado demais na técnica, me perguntando – como foi possível? Como fizeram? Alguém já disse que, quando a gente pensa demais na técnica, o filme não é bom. Não é verdade. O que mais me encantou ontem, como na primeira vez que vi O Hobbit – A Desolação de Smaug, foi a construção do afeto. A troca de olhares, os gestos que constroem, para o espectador, a mais improvável das histórias de amor, a da elfa Tauriel com o anão Kili. Tudo os separa, e no entanto a atração é irresistível. Evangeline Lilly faz Tauriel, que, como Legolas/Orlando Bloom, é imbatível com arco e flecha (e espada). Não me lembrava do ator que interpreta Kili. Não fazia a menor ideia de quem era Aidan Turner, exceto que Peter Jackson e a mulher, a produtora e corroteirista Philippa Boyens, devem tê-lo escollhido por ser bonito. Aidan surgiu nas séries – Desperate Romantics, Being Human. Acho linda a história de Kili e Tauriel, e ela não termina bem. Um amor condenado. Confesso que chorei com a dupla. Tenho os DVDs, mas prefiro esperar até terça para (re)ver o desfecho, A Batalha dos Cinco Exércitos, às 19h55,no Megapix. Tenho pensado. O Hobbit foi publicado por Tolkien em 1928 e A Sociedade do Anel e As Duas Torres, após longa gestação, saíram juntos em 1954. O Retorno do Rei surgiu no ano seguinte. George RR Martin começou a esculpir sua guerra dos tronos, As Crônicas de Gelo e Fogo, em 1991, mas o primeiro livro surgiu em 1996. A série da HBO começou em 2011, sete anos após o Oscar para Jackson (e O Retorno do Rei). GOT é sempre citada como um momento decisivo na (r)evolução das séries – e do streaming. Lá vou eu comprar briga. Nunca vi Game of Thrones, nunca tive paciência para seguir oito temporadas. Outro dia estava zapeando e entraram algumas imagens. Uma cena com Emilia Clarke e Kit Harrington, em que ele acaricia o dragão dela. (Escrevendo assim, parece safadeza, uma obscenidade.) Tive a impressão de estar assistindo a um spinoff do Hobbit (e de O Senhor dos Aneis). Um subproduto. Não será? O que vi não me segurou. Caí fora rapidinho.

Tendências: