As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Sleuth

Luiz Carlos Merten

11 de setembro de 2007 | 15h13

Tenho de concordar com o Saymon que Kenneth Branagh tem aquela fixação no Laurence Olivier, tentando superar os papéis mais icônicos dele. Não sabia que o roteiro de Sleuth era do Harold Pinter, mas não sei se isso faz uma grande diferença. Joseph L. Mankiewicz, o chamado cineasta da palavra, irmão do lendário Herman Mankiewicz – que escreveu Cidadão Kane –, era um notável dialoguista (e ganhou os Oscars de roteiro em Quem É o Infiel? e A Malvada), mas Sleuth é um dos raros casos, numa carreira notável, em que ele não assina o script do próprio filme. No caso, era o próprio autor da peça, Anthony Shaffer. Sleuth foi lançado nos cinemas, no Brasil, como Jogo Mortal (e depois ganhou outro título em vídeo, alguma-coisa Diabólico). Poucos filmes, mesmo do Mankiewicz, são tão cheios de epigramas e de pistas falsas e de referências cifradas. É maravilhoso e não creio que Kenneth Branagh tenha condições de reinventar aquela genialidade toda. Saymon se pergunta para quando a versão de Branagh de O Morro dos Ventos Uivantes, que Olivier interpretou sob a direção de William Wyler? Sei não, mas em matéria de Wyler (e Olivier), acho que a afinidade maior de Branagh seria com Perdição por Amor (Carrie). E só para concluir – entrevistei Branagh em Cannes, no ano de Hamlet. Comentei com ele que meu Hamlet favorito era o russo Innokenti Smoktunovski, no filme de Kozintsev. Ele concordou, entusiasticamente (não sei se porque, afinal, eu estava achando Olivier inferior em alguma coisa).

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.