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Simplesmente Nelson

Luiz Carlos Merten

08 de agosto de 2013 | 00h28

Fiquei no Rio de domingo à terça à noite,. Cheguei às 3 da tarde, tinha matérias para a edição de segunda do Caderno 2. Corri feito louco, mas saí às 16h15 da sucursal do Estado, na Av. Rio Branco, disposto a estar às 5 – 17 horas – no Teatro Leblon, para ver a peça de meu amigo Rodrigo Fonseca. Quem disse que consegui? O Rio fica inviável, fechado para pedestres. Às 17h30 estava entrando na Praça Gal. Osório, pqp. Tudo travado. Desisti. Sorry, Rodrigo. Terminei vendo um programa, o Curtas 8, do Anima Mundi, no Odeon. Fui ao Rio a convityer da p´roduçãso de Vendo ou Alugo, para entrevistar Marieta Severo e Betse de Paula. As entrevistas estão no Caderno 2 de hoje (quarta). Quando eu salvar este post, provavelmente já será quinta e daqui a pouco vou para Porto Alegre, a caminho de Gramado, que inaugura na sexta (amanhã) o 41.º Festival de Cinema Brasileiro e Latino. No Rio, terminei entrevistando, além da equipe de Vendo ou Alugo, o coreano Im Sang-soo, de A Doméstica, que realiza um dos episódios de Rio I Love You. Entrevistei também Miranda Otto, a Elizabeth Bishop de Bruno Barreto em Flores Raras. Embora bem produzido, e bem feito, não gosto do filme por causa das personagens, e da personagem de Glória Pires, Lotta não sei das quantas, que criou o Parque do Flamengo. Sujeitinha abominável, credo. O que quero dizer é que descobri que, na Caixa Cultural, começava segunda o ciclo Simplesmente Nelson, com a propdução menos conhecida de Nelson Pereira dos Santos, incluindo Fome de Amor, que é o ‘meu’ filme do diretor. Tive um choque ao ver Agulha no Palheiro,. de Alex Viany, no qual Nelson foi assistente de direção. Uma mineirinha do interior procura no Rio o homem que a engravidou, e abandonou, e é como procurar a agulha no palheiro, tal o gigantismo da cidade (em 1952!). Lá pelas tantas, Fada Santoro não quer mais encontrar o pai de seu bebê, porque se apaixonou por Roberto Battaglin, como um condutor de bondes. Puta filme bonito, uma comédias de costumes temperada como melodrama e realizada sob forte influência neo-realista. Viany, Nelson eram comunistas de carteirinha, e stalinistas. O importante é que o filme baseia-se em conceitos de fraternidade, solidariedade que hoje talvez pareçam, obsoletos, mas me comoveram. Há um pudor no personagem de Battaglin, o seu medo de se declarar, que me lavou a alma. E Fada Santoro,. como era linda! E a cantora Doris Monteiro, que boa atriz! Alguém poderá achar o filme defasado, envelhecido. Eu o achei uma relíquia, umas joia, com seus temas que tratam fundamental de amor e ética, do amor à ética – e por que não da ética do amor? Há todo um cinema brasileiro à espera de ser resgatado. Com os defeitos que o filme possa ter, me transportou ao Rio de 60 anos atrás. E eu amei os quiprocós do grupo que buscas um, pai para o filho de Fada Santoro, quando o melhor pai do mundo está ali, o tempo todo, ao lado dela.

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