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Serra Pelada!

Luiz Carlos Merten

06 de outubro de 2013 | 11h03

RIO – Desde sexta não dou notícias. Tenho andado na correria, como gosto. Na sexta, fui ver à tarde Serra Pelada e emendei com debate no Festivalo do Rio e mais uma passagem pela sucursal do Estado, onde redigi a matéria de hoje do Caderno 2, sopbre a coletiva da Mostra, que foi ontem, aí em São Paulo. Havia falado com Renata de Almeida e é impressdionante como, após todos estes anos e entrevistas, ainda me pergunto se não é Renata Almeida, sem o ‘de’. Corri para o Lagoon, para ver Estrada 47, de Vicente Ferraz, sobre a participação da FEB na 2.ª Guerra, na Itália. Não gostei muito, apesar do esforço de Ferraz para contar uma história que, obviamente, o apaixonava,. mas que ele não conseguiu tornar apaixonante para mim. Mas Serra Pelada… Heitor Dhalia conseguiu. O filme conseguiu, mas ouso dizer que um acaso ajudou. Ele ia fazer o filme com Wagner Moura como um dos protafonistas. Wagner e Júlio Andrade como os amigos que vão viver a aventura do ouro no garimpo. Como Wagner foio fazer Elysium, Heitor lhe deu um pápel menor e colocou Juliano Cazarré no papel que seria de Wagner. O papel ‘pequeno’, na verdade, é a composição mais impressionante da carreira de Wagner Moura e ele está genial, permitam-me usar a palkavra, apesar do desgaste que a acompanha. Com Cazarré, o personagem, Juliano, ganhou em massa física, em truculência, em sensualidade e brutalidade. Seria outro filme com Wagner, com certeza. E o Júlio Andrade me confessopu que, de todos osa seus personagens, Joaquim é o de que ele se sente mais próximo. Que puta trio de atores! E a nervosidadee do garimpo, a violência. O Brasil inteiro cabe ali dentro. Sexo e poder. A ganância. “Isso aqui desperta o que há de pior na gente”, vive repetindo Joaquim. É outro filme sobre ‘amizade’, que rima com lealdade e tem seu oposto em traição. Os amigos se traem em Serra Pelada, como em Entre Nós, mas algo se restabelece, e no fundo do abismo em que Juliano é lançado,. há um sorriso de Cazarré, um esgar da boca, uma iluminação dos olhos, que me produziu vertigem. E o desafio de recriar o formigueiro humano de Serra Pelada. Ainda não falei com Heitor Dhalia para descobrir quanto de computação gráfica ele utilizou, mas é um senhor trabalho. Tudo isso é muito bom, mas como se conta uma história daquela grandiosidade? Heitor usa um narrador para concentrar as linhas de força, mas os conflitos são sólidos e a garota… Que que é aquilo? Me incomodou o excesso de palavrões gratuitos de Mato sem Cachorro, mesmo com a provocação de alguns deles serem ditos pela filha da namoradinha do Brasil, Gabriela Duarte. Mas em Serra Pelada… A garota, a esplendorosa Sophie Charlotte, faz uma aposta com seu mantenedor. Se eu ganhar, o que eu levo em troca?, Matheus Nachtergaele pergunta. Sophie, uma atriz global, responde cruamente o que jamais diria na emissora – ‘Meu cu’. Dramaturgia, vigor, ousadia. Estou chapado.

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