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Sempre a mesma velha história

Luiz Carlos Merten

16 Janeiro 2017 | 12h02

MAR DEL PLATA – Cá estamos, desde sábado. Do quarto do hotel avista-se o mar, mas tem um campo de golfe delimitando o terreno até a praia. O hotel tem piscinas, no plural. Imagino quanta gente não faria a festa nesta cidade. Bares, baladas, restaurantes. Minha filha ia adorar – acho. Lúcia já morou na Argentina, em Buenos Aires, quando fez um curso de línguas. Mas, quando saímos de São Paulo para o Rio, ela estava se mudando. Foi para uma casa de vila, na Vila Mariana. Eu me contento em olhar o mar e tomar um mojito na piscina. Ontem à noite fomos ao cinema, no Paseo Aldrey. Por qué el? Por que ele? Papai Bryan Cranston desespera-se porque suas princesinha está ficando – e cojendo! – com James Franco, que faz o tipo mais desbocado e extravagante que já apareceu numa comédia de Hollywood. Parece saído de O Lobo de Wall Street, mas lá era Martin Scorsese a sério, um horror. Franco fez fortuna na indústria de games. Criou seu Xanadu, habitado por animais exóticos e todo automatizado, com a voz de uma mulher que comanda todo o sistema – como Scarlett Johansson em Ela. Enquanto isso, papai está indo pro brejo. Tem uma fábrica de impressos, mas está perdendo os clientes por causa dos novos tempos. O futuro chegou e é online. Na casa de James Franco, não tem mais papel higiênico. O ato de limpar-se, na própria privada cheia de botões, oferece surpresas como a satisfação garantida de mamãe, quando o estressado papai nega fogo. Jonah Hill e Shawn Levy estão entre os produtores e o filme começa bem, mas depois, até por ter só uma piada, vai caindo na mesmice. Mas não é aborrecido – como o bem intencionado Beleza Inesperada, com Will Smith. Confesso que tenho visto mais filmes no quarto. Battleship – Batalha nos Mares, de Peter Berg, que me diverte muitíssimo pelos diálogos absurdos. O oficial Taylor Kitsch vai pedir a seu superior – Liam Neeson – permissão para namorar a filha dele. Neeson diz que não. “Mas senhor? Salvei a Terra e venci os alienígenas…” E papai – ‘Salvar a Terra é uma coisa, namorar minha filha é outra.” Mas, em oferta de paz, Nesson encerra o filme e o ciclo chamando Taylor Kitsch para um sorvete, que é como o filme começa. Adoro essa ideia hawksiana de que um cara vai provar sua destreza e salvar o mundo só para merecer a mulher… Revi também Um Lugar Chamado Notting Hill, de Roger Michell, que o Dib adora. A revisão do clássico A Princesa e o Plebeu, de William Wyler, só que Audrey Hepburn agora é uma estrela de Hollywood, e é ‘a’ estrela – Julia Roberts -, enquanto Hugh Grant substitui o repórter Gregory Peck como um dono de livraria que, eventualmente, tem de dar uma (ou duas) de jornalista. O final, na coletiva de imprensa, é uma bela homenagem a Wyler, mas será que isso tem importância ou serão meus olhos? Grant nunca foi melhor no seu papel de inglês tonto e Julia… Acredito em cada palavra quando ela diz que esse negócio de celebridade é uma ilusão e é só uma garota, uma ‘chica’ na legenda em espanhol, conversando com um rapaz. Boy meets girl. François Truffaut dizia que não existem muitos temas. Existem muitas embalagens para, no fundo, as mesmas histórias. Por qué el?, Battleship e Notting Hill são a prova. E o ‘palácio’ de James Franco ainda engloba o de Charles Foster Kane… São meus olhos, talvez, mas os filmes ficam melhores.