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Semana 4/A nova família no centro do debate

Luiz Carlos Merten

26 de novembro de 2016 | 23h29

Havia pouca gente, mas participei hoje pela manhã de um debate bem interessante sobre os rumos da Semana dos Realizadores. Liz Kogan e Daniel Queirós fizeram um histórico da Semana, falaram sobre os desafios da curadoria. Valeu! Levantei uma questão que sempre me preocupa. O Festival do Rio, Tiradentes, a Semana. Todos já tiveram edições paulistas que, sejamos realistas, não foram muito bem sucedidas. E não há de ser porque o paulistano não aprova o cinema autoral, independente, radical. Não há de ser, mas então o que é? Bairrismo? Agora à noite assisti a O Estranho Caso de Ezequiel, de Guto Parente. Sei de gente que detesta a garotada do Alumbramento, de Fortaleza. Não creio que se possa falar do cinemas da Retomada, do cinema dos últimos anos, sem Estrada para Ythaca. O filme entra na listas dos 100 mais da Abraccine? Se não entrou é um motivo a mais para sedimentar meu mal-estar com, a associação. Havia, em Brasília, um filme da Alumbramento – O Último Trago, de Luiz Pretti, Ricardo Pretti e Paulo Diógenes. Sei de gente que me credita os prêmios, e não me perdoa. a verdade é que eu só fui na corrente, porque os prêmios paras O Último Trago vieram do coletivo do júri. Da turmas da Alumbramento, Guto Parente é o que mais tem investido numa carreira solo. E ele mantém esse flerte com o fantástico. Dizem Que os Cães Veem Coisas, Doce Amianto, A Estranha Morte de Pérola. Creio que todos esses filmes foram preparatórios para a estética de Ezequiel. Guto inspirou-se no relato bíblico do Velho Testamento. Deus reclamou a mulher de Ezequiel e, ao mesmo tempo, exortou-o a não manifestar sofrimento. O Deus cruel do Velho Testamento. No filme, a mulher volta dos mortos e há um ET. Forma-se uma família nada convencional. Ythaca já era sobre a famílias afetiva, os amigos. Agora, é essa família bizarra, completamente fora de esquadro, mas dá para perceber o pânico de Ezequiel quando o vizinho chama a polícia. Tudo o que ele não quer é perder a mulher de novo. O filme assume de vez o fantástico, o não realismo. O mistério da cor, o artifício, já presente em Doce Amianto. Já relatei no blog como, no Festival do Rio, a ficha sobre Redemoinho só caiu bem depois, quando estava jantando no Lamas. Nesta noite, a ficha sobre Ezequiel caiu quando estava jantando na Trattoria. É um filme único. Talvez tenha ajudado o diálogo dos curtas de ontem – Heaven e Solon – com as artes visuais e a ficção científica. O cinema brasileiro está propondo coisas para fugir ao filão da comédia. Nada a ver com o realismo, uma outra coisa. Não estou falando do cinema de gênero de Marco Dutra e Juliana Rojas, que não me interessa nem um pouco. Reconciliei-me com ele em O Silêncio do Céu. Ezequiel é – realmente – algo novo. Esse Guto me surpreendeu. E seu ator, Euzebio Zioccowick, é f…