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Semana!

Luiz Carlos Merten

25 de novembro de 2016 | 11h34

RIO – Cá estou, desde ontem. Vim para a 8.ª Semana dos Realizadores, que no domingo realiza um debate muito interessante. Por um cinema negro no feminino. Assisto e, na sequência, volto para São Paulo, no domingo à noite. No texto curatorial de abertura do catálogo, Lis Kogan reafirma o compromisso do evento que criou. A Semana nascewu para chamar atenção sobre filmes significativos, que ampliam, as possibilidades de expressão do cinema brasileiro, mas (mas!) não encontram na cidade,o Rio, e em nenhum outro lugar do País (exceto Tiradentes, acrescento), o espaço para exibir e discutir suas questões com profundidade. Houve uma abertura na quarta, com Martírio, de Vincent Carelli, e o encerramento será na outra quarta, 30, com A Cidade Onde Envelheço, de Marília Rocha, que premiamos (falo do júri que integrei) em Brasília. por sinal, de cara encontrei o professor João Luiz Vieira, ontem à noite, outro jurado de Brasília. Conversava com Davi Pretto, o diretor gaúcho de Rifle, que era nosso favorito (dos dois), mas isso não diminui o mérito do filme de Marília. essa coisa de júri é curiosa. Estou lendo o livro de Laurent Desbois, A Odisseia do Cinema Brasileiro, e 50 e tantos anos depois, através de um relato de Sophie Desmarets, que integrava o júri, ele resgata a histórias sobre como François Truffaut bancou a candidatura de O Pagador de Promessas à Palma de Ouro. No livro da Coleção Aplauso, do qual sou redator (ghost writer) – a única coisa minha é o prólogo -, Anselmo fala como sentia o entusiasmo de Truffaut pelo filme. Talvez não fosse só isso. Sophie conta como Truffaut orquestrou, face ao impasse entre premiar Michelangelo Antonioni, Robert Bresson e Luis Buñuel, respectivamente por O Eclipse, Le Procès de Jeanne d’Arc e O Anjo Exterminador, a Palma fosse para alguma cinematografia emergente. O restante do júri adorou porque a maioria queria premiar Electra, do grego Michael Cacoyannis, mas François, muito nouvelle vague, bateu pé que não iria premiar um filme cujo roteirista era Eurípedes, e venceu O Pagador. Essas histórias de júris… Volto à Semana. Vi ontem um curta que me intrigou Uma Casa Cinza e Montanhas Verdes, de Deborah Viegas. Nada do que se passa tem a ver com a casa nem as montanhas. Um longo plano sequência. Uma ponte, filmada à distância. Um homem de camisa vermelha sai da luz e vai para a área sombria sob a ponte. Outro salta do carro, em cima, e joga-se na água. No final, e ao cabo de uns bons 15 minutos, só… Vejam. É muito curioso. O tempo, a vertigem dos carros, a casa e as montanhas imutáveis, um trem que passa produzindo um ruído brutal. Nada disso significa muito, mas o que é tudo e o que nada? Os significantes e dignificados dependem sempre da gente – vejam Jack Reacher… fiquei bem intrigado,. mais que com o longa, Os Pássaros Estão Distraídos, de Diogo Oliveira e João Vieira Torres. Um idoso e sua acompanhante num apartamento. Chega o filho dele. Empacotam coisas, porque vão se mudar. a acompanhante atende a inúmeras telefonemas. A mesmas conversa, sempre. O garoto dança. E nada acontece. Nada? Fui jantar no bom e velho Lamas, meu restaurante da noite, no Rio, quando estou sozinho. Voltei para o hotel e liguei a TV. Zapeei. Passava Sr. e Sra. Smith. Nesse acontece tudo. Tudo? Só se for tudo déja vu, sem intenção de criar empatia, mas investindo no glamour. Foi o filme que deu o clique na ligação entre ‘Brad’ e ‘Angelina’. São gloriosos, a química é total. Não dá para desgrudar o olho. Os astros e estrelas, a contracorrente da Semana. acabou – Brangelina. Vi outro dia o trailer de Aliados, o novo Robert Zemeckis. A química, agora, é entre Brad e ‘Marion’.Poderosa Cotillard. Em Cannes, em maio, quando entrevistei Xavier Dolan, ele parecia genuinamente desencanado com as m… que a crítica já estava escrevendo sobre É Apenas o Fim do Mundo. Ele já está acostumado. Só quem o trata bem (muito bem) é Cahiers, e mesmo assim a revista segue sendo a Bíblia dos postulantes da ‘autoria’ que engasgam com o moleque. Quem manda ‘Zaviê’ ser jovem, bonito, talentoso, pop – e gay? É muita coisa para digerir. Mas Dolan estava indignado – com o crítico que havia escrito que Marion é chata, sem esclarecer se era a atriz ou a personagem. A Cotillard chata? Brad, pelo visto, não acha. Nem eu. Vejam É Apenas o Fim do Mundo, que estreou na quinta, ontem, 24. Não é Mommy, mas é Xavier Dolan, e isso quer dizer- é ótimo.

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