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Semana (3)/Siqueira, o poderoso. Poesia na guerra!

Luiz Carlos Merten

19 de novembro de 2017 | 01h52

RIO – Foi muito esquisito o debate de hoje, A Igualdade é Branca – Cinema, Raça e Poder. Achei que a mesa seria multirracial, mas me surpreendi ao ver que era constituída por brancos, e só homens. A segunda surpresa foi que só havia brancos na plateia – não, minto. Havia negros e um, o André, cujo nome todo não sei, salvou o dia dizendo que a mesa era um equívoco e ele não estava afim de ver branquelos exorcizando sua má consciência. Sorry, mas foi isso, e essa coisa de todos serem brancos e heteros, como fizeram questão de ressaltar, não agregou muito. Se o debate foi… Ruim? – pior, equivocado -, a programação foi ótima, especialmente a de curtas, com o Festejo Muito Pessoal, de Carlos Adriano, sempre refinado e inteligentíssimo, mais o Poesia na Guerra, de Fernando Salinas, sobre a voz da periferia, que me revelou o Siqueira. Poderoso! No meio do maior tiroteio, no Alemão, o cara soltou o verbo acusador de um jeito que me deixou arrepiado. Rap é f… Cinema e ativismo, imagens de resistência. Gostei demais. Foi, está sendo a minha descoberta desta Semana. Achei bonito o Ava Yvy Vera, de um coletivo indígena, e depois veio um dos filmes que me fizeram vir à Semana. Havia visto o Arábia, que amo, mas como não fui a Brasília não tinha visto o novo filme de Adirley Queirós, que retoma a ficção científica, e os personagens, de Branco Sai, Preto Fica. Estava louco para ver Era Uma Vez Brasília, Talvez seja mais potente, e até político, que o filme anterior do Adirley, mas confesso que, em matéria do autor da Ceilândia, estacionei em A Cidade É Uma Só. Acho interessante o que ele está fazendo/propondo, mas mentiria se tivesse que me toca, ou que gosto. Acho estiloso demais, toda aquela fotogênica fumaça de cigarro, os planos longuíssimos (a música, a explosão do carro, etc) não me dizem nada, sinto. Já os discursos de Dilma e Temer me pareceram impressionantes. Tudo o que Michel diz, posando de estadista, salvador da pátria, vem sendo sistematicamente desmentido em seu (des)governo. Esse compromisso da Semana com a atualidade, e a contemporaneidade, me fascina. Ainda bem que escrevi a palavra com ‘ade’. Lembrei-me. Os filmes são, via de regra, apresentados pelos diretores, que dialogam depois com o público. O linguajar está muito acadêmico para o meu gosto – performatividade, narratividade, etc. É uma forma de (auto)legitimação que me parece autoritária. Não tenho a menor paciência, mas isso não significa que vá censurar quem quer que seja. Num post anterior, escrevi Judith Christ, em vez de Butler. Corrigi. Gostaria de saber que mecanismo do inconsciente me fez voltar à crítica norte-americana que, numa certa época, polarizava o debate com a mais pop Pauline Kael. Acho que sei. Ao retificar, isso me permite voltar à revista da qual não quero dizer o nome. A tal diz que a Judite ‘mordomo’ quer liberdade de expressão mas se contradiz porque assinou um documento contra político alemão de extrema direita que foi fazer palestras nos EUA. É bem típico da direita exigir liberdade de expressão para eles. Ok, ressuscitem o Hitler e, em nome da pluralidade, levem o cara para dar palestra ali na Marginal. Adolfo ia se sentir em casa…

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