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Semana 3/Aprendendo com as mulheres

Luiz Carlos Merten

26 de novembro de 2016 | 10h48

RIO – É uma pena que tenha perdido o primeiro programa da mostra competitiva de ontem à noite. Estava na sucursal do Estado, fechando meu material de sábado e domingo. À tarde, havia visto o programa do CachoeiraDoc – Com Mulheres, emendei com a entrevista de Laurent Desbois e terminei chegando tarde ao jornal. Mesmo rápido como sou, não consegui terminar tudo o que tinha em 90 minutos. Perdi o programa, mas já havia visto Taego Awa, de Henrique e Marcela Borela, e lamentei justamente porque queria rever o filme da dupla. Por mais impactado que tenha ficado com a quantidade de informações de Martírio, de Vincent Carelli, um dos motivos pelos quais não gostei tanto da ‘forma’ do doc foi justamente certas audácias de que me lembrava de Taego Awa e que gostaria de ter checado. Enfim, adorei o programa do CachoeiraDoc. Nunca me canso de ver A Entrevista, de Helena Solberg, que sintetiza em 20 minutos o que muito longa ‘político’ dos anos 1960 dispersa. Mulheres da elite falam de sexo, casamento, profissão e o filme termina com o golpe de 1964. Em princípio, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Tem tudo. Na sequência, assisti a Remontagem, de Trinh T. Minh-ha, de 1982, e para mim foi uma descoberta. Que filme! O olhar de fora da diretora revela o cotidiano de aldeias do Senegal. Mulheres, principalmente. Um diálogo muito interessante com o filme de Helena. Gostei demais dessa Trinh, e até vou tentar descobrir mais sobre ela. A autora revela o outro, as outras, mas também questiona a tal etnologia e o uso que faz da ferramenta do cinema. Lembrei-me das cientistas malucas de Brasília, no debate sobre o filme do índio gay. Espero que vejam Remontagem. E ainda houve outra descoberta. Rio de Mulheres, de Cristina Maure e Joana Oliveira, de 2010. De novo as mulheres, numa comunidade interiorana, onde a água é escassa. Apenas 21 min, mas são vidas, um mundo. E o cinema como instrumento de observação e conhecimento. Maravilhoso. É impressionante como, estando nessa batalha do cinema há 50 anos – 50! -, ainda aprendo, a cada dia. É só não me fechar nos meus conceitos e manter a alma de aprendiz.

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