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Sem censura

Luiz Carlos Merten

13 de novembro de 2013 | 09h50

Neusa Barbosa me acusou ontem, alto e bom, na cabine de Cine Holliúdy, de havê-la censurado aqui no blog. Acrescentou que fora elegante onde eu teria sido grosseiro – provavelmente naquele dia em que houve a votação da crítica na Mostra e os coleguinhas reduziram o evento a uma manifestação de novos diretores, o que não é, bem entendido. Por mais qualidades que tenha visto em La Jaula de Oro, ainda vai demorar um pouco até Diego Quemada-Díez se equiparar a Jia Zhang-ke, e num filme (Um Toque de Pecado, sua abertura para a internet e para o mercado da China) particularmente importante. Mas, enfim, não polemizo, só quero dizer que essa história de censura é impossível. Só censurei um comentário aqui no blog, e era ofensivo a uma outra pessoa, aí achei que era demais (mesmo que, secretamente, talvez gostasse de ver o que ali era dito publicado em outro foro). A questão é que meu blog é a minha cara, e isso significa que é um pouco o buraco negro em que todas as coisas se perdem ao meu redor. Não brinquei ontem ao relatar o episódio do I-PAD (onde andará? Por aqui, estou postando de casa, com certeza). Imagino que as pessoas me leiam – existem indicadores para prová-lo -, mas está cada vez mais difícil interagir. Tenho mais de 25 mil comentários pendentes, e não faço a menor ideia de onde estão. Os comentários entram no blog como e-mails na caixa do correio.estadao e a minha está fechada, por excesso, desde 20 de setembro. Alô-ô. Setembro! Nem o Festival do Rio havia começado, que dirá a Mostra. No outro dia, jantei com minha ex-cunhada, Dora Almeida. Jantamos – a Lúcia e eu, pois Dora é madrinha da minha filha. E a Dora reclamou que não tenho twitter nem  face nem stagram, e aí não dá, porque ela tirou uma foto nossa, tentou me enviar – não sei se o procedimento que descrevo está correto – e o sistema simplesmente não me reconheceu. Daqui a pouco não vou existir nem para vocês. Sem comentários – a caixa lotada não deixa entrar -, até vocês vão terminar desistindo. Tentei limpar a caixa ontem, deletando tudo, mas o sistema travou e não consegui. Vou tentar hoje, daqui a pouco, de novo. Sugiro a Neusinha que me mande de novo seu comentário ‘elegante’. Por falar em elegância, faz quase uma semana que sou atormentado por uma dúvida. Há um filme que sempre passa na TV paga e eu amo. Não é coisa de crítico. Aliás, crítico posudo deve odiar (como condição sine qua non). Cada vez que dou um zapping e ele está passando, estaciono. É o Coração de Cavaleiro, de Brian Helgeland, com Heath Ledger, Paul Bettany e, num pequeno papel, Berenice Bejo. Me emociona muito aquela versão rock’n’roll do sonho de um garoto sem eiras nem beira de ser campeão nos torneios de liça, e isso é exclusividade da nobreza. Só que a verdadeira nobreza é de caráter, de coração etc e tal, e o nobre Rufus Sewell, rival de Ledger, está mais para vilão. Me encanta o contador de histórias, um tal de Chaucer, interpretado por Bettany, que cria uma origem aristocrática para o herói plebeu. No meu imaginário, a fantasia de Helgeland terminava (termina?) com a apoteose de We’re the Champions, quando a massa celebra e faz dela a vitória de Ledger. Mas a cena não veio e, ao contrário dela, no fim dos créditos, apareceram os amigos que cercavam o cavaleiro ao longo da trama num torneio de… peidos. Estou louco? Ao invés de Champions de fundo, sempre houve aquela sinfonia de sons vulgares? E a elegância, Neusinha? Meu Deus!

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