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Se arrependimento matasse…

Luiz Carlos Merten

08 de novembro de 2013 | 23h45

A gente se arrepende do que não faz. Em maio, depois de Cannes, fiquei alguns dias em Paris, participando dos encontros do cinema francês, mas na verdade, queria ter ficado mais. Por uma semana, acho que menos, perdi a master class de Tatsuya Nakadai, o ator-fetiche de Masaki Kobayashi e, na fase pós-Toshiro Mifune, também de Akira Kurosawa. Meu sonho mais secreto, e que agora compartilho, sempre foi ir ao Japão entrevistar Nakadai para um livro sobre sua colaboração com Kobayashi, Kurosawa e Eizo Sugawa. Deveria ter ficado em Paris aqueles dias. Pois agora descobri outra coisa que me deixou mortificado. Na mesma época da homenagem a Nakadai – a retrospectiva de seus filmes na Fundação Japão de Paris -, o Beaubourg abrigou um evento baseado na troca de correspondência entre Albert Serra e Lisandro Alonso. Se isso não foi o maior espetáculo da Terra, não sei o que poderia ser. O autor de Honor de Caballeria e o de Los Muertos e Liverpool. Ai, meu Deus, quando me lembro como gastava meu francês defendendo o Dom Quixote de Albert Serra e os irmãos Dardenne me olhavam com cara de página em branco, porque queriam outorgar a Caméra d’Or a A Leste de Bucareste. Aquilo, sim, me doeu ter perdido, Sidney. Albert Serra é da estirpe de Victor Erice, o monstro sagrado do cinema espanhol. Lisandro é… Lisandro, embora Films and Filming considere o jovem Matías Piñeiro o maior talento erudito do novo cine argentino. Albert Serra! Lisandro Alonso! O resto é… resto.

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