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Scott, filho de Clint, No Limite

Luiz Carlos Merten

06 de abril de 2020 | 10h57

Diminuí meu ritmo no blog, mas não porque esteja parando. O jornal encomendou-me uma série que deve estar começando nesta segunda, 6, no online. O clássico do dia. Não espere pelos suspeitos usuais – Kane, Potemkin. Eventualmente, se a série durar, até chegarei a eles. Comecei por Cantando na Chuva, o musical energético de Stanley Donen e Gene Kelly, porque uma dose de otimismo não faz mal a ninguém, em tempos de pandemia. Já fiz os textos sobre O Mensageiro do Diabo, Um Corpo Que Cai, Rastros de Ódio. Tenho viajado nesses textos, e principalmente nas lembranças. Continuo ligado na TV e acompanhando como certos países parecem estar desacelerando a curva demolidora do Covid 19. Saem estatísticas diárias de mortos e infectados nesses lugares, enquanto no Brasil, agora, estamos, quer dizer, as autoridades estão confirmando mortes de dez/15 dias atrás. Espero não estar alimentando teorias da conspiração, mas tudo isso está muito esquisito. Enquanto isso a China socorre os EUA e Mr. Trump, o amigão do clã Bolsonaro, dificulta a importação de insumos e dispositivos de segurança para o Brasil. Ééé, esse mundão vai ter de mudar, depois que tudo isso passar, porque vai passar, e eu espero ver. Como diz a capa da CartaCapital desta semana, estaremos numa encruzilhada. O planeta vai rever seus métodos ou persistir no desastre? Retomando – tenho lido, escrito (muito), visto filmes. Ontem assisti à maratona do Chefão no canal Paramount, e depois falo sobre isso. Havia visto, em dias anteriores, pedaços de No Limite, com o filho de Clint Eastwood, Scott, e um tal de Freddie Thorp que eu não fazia a menor ideia de quem era. Fui pesquisar e o carinha era modelo. Fazem, Scott e Freddie, ladrões contratados para roubar a coleção de carros de um criminoso, dentro da velha fórmula ‘Ladrão que rouba ladrão…” Perseguições, pancadaria, belas mulheres, sul da França. Boas cenas de ação – uma perseguição numa estrada cheia de curvas que desce para o mar, e que tenho certeza de já haver visto em algum James Bond. Pensei com meus botões que devia ser um filme de Pierre Morel, ex-cinegrafista e diretor francês ligado a Luc Besson – Busca Implacável, Rogue, Cão de Briga. No final, descobri que não, em termos. Quem dirige é o colombiano Antonio Negret, mas Morel é o produtor e eu me vi pensando. Por que achei que era um filme de Morel? Até gosto, como ação, de um filme dele – B13 13.º Distrito. Terá o cara um estilo, uma preferência temática? Será um daqueles diretores B de Hollywood nos anos 1940 que passaram a ser cultuados mais tarde? Morel, afinal de contas, não está fazendo space operas, mas filmes com caras bons de briga e que, ao contrário dos machões assexuados de Hollywood, gostam daquilo. A mística de Jason Statham é que ele é tão bom de porrada quanto de cama. Scott Eastwood vai por aí. É BB, batedor e beijoqueiro. Bom ator? Já seria pedir demais. Nem o pai dele era, lá atrás, quando virou astro de TV, antes de estourar nos spaghetti westerns de Sergio Leone. Divago, mas se alguém chegou até aqui, me lendo, é por que minhas questões encontraram eco.

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