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Sábado no Rio

Luiz Carlos Merten

07 de fevereiro de 2020 | 10h39

Tem um post que estou me devendo há dias. Refere-se ao meu sábado passado, no Rio. Preciso deixar registrado, para os ‘records’. Almocei uma moqueca deliciosa com minhas amigas Ana Luiza Müller e Emília Silveira num restaurante próximo às casas delas, no Jardim Botânico. Depois, fomos tomar café na casa da Ana, onde nos esperavas o marido dela, George Moura. Ele me contou que a Globo está levando ao mercado de Berlim, para um evento de séries, a que ele escreveu (com Sérgio Goldenberg) e foi gravada em São Paulo – Onde Está Meu Coração? Foram horas muito agradáveis, entre pessoas queridas. Saí correndo – de táxi – para o CCBB, para ver A Director’s Notebook e Satyricon na retrospectiva de Federico Fellini. Nunca havia visto o primeiro – as anotações de Fellini sobre um filme que nunca fez, A Viagem de G. Mastorna – e havia perdido o segundo na Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, onde teve direito a debate comemorativo do centenário do autor. Notebook foi produzido para uma TV dos EUA, e Giulietta Masina dá seu depoimento num inglês macarrônico, hilário. Já preparando o Petrônio, Fellini visita o Coliseu, de Roma, à noite, documentando com sua câmera a fauna humana que ali vive, ou ‘lavora’. Trabalhadores do sexo – p…, travestis, michês. Supostamente, um documentário. Tudo encenado. Falso, verdadeiro. Em Fellini, grande mentiroso, o real é fake e o falso é a ferramenta por meio da qual ele reflete o mundo. A retrospectiva vem para São Paulo e, no pós-Berlim, no pós-Paris – embarco na semana que vem para passar uns dias em Portugal, antes da Berlinale -, espero regressar a tempo de (re)ver E la Nave Va. Quase voltei ao Rio nesse final de semana, mas preferi maneirar porque o choque térmico da semana passada – calor de 40 graus, gelo no metrô, no VLT, na sucursal do Estado e em todos os ambientes – me derrubou. Voltei ao antibiótico. Se desembarcar tossindo na Europa são capazes de me colocar em quarentena.

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