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Romeu e Julieta. No plural, Romeus e Julietas

Luiz Carlos Merten

28 de março de 2020 | 11h15

Revi no outro dia Cartas para Julieta e adorei, no filme de Gary Winick com Amanda Seyfried e Christopher Egan, a cena em que Vanessa Redgrave, procurando seu amor do passado, vê Franco Nero avançar a cavalo naquele vinhedo. Entendo perfeitamente os por quês de cada um, mas é uma homenagem muito mais bonita do que a de Quentin Tarantino em Django Livre, quando entra Franco Nero como o Django original (de Sergio Corbucci, de 1966). Romeu e Julieta! Não sou muito dado a fazer pesquisas no blog, mas fiz e encontrei um post de 2009, há 11 anos. Fomos, Dib Carneiro e eu, assistir a uma montagem da peça de Shakespeare, A Tragédia de Romeu e Julieta. Pegamos o filho dele, Heitor, e fomos jantar, encontrando não apenas o elenco da peça como Gabriel Villela e a trupe de Álbum de Família, incluindo Leandra Leal, que fez os maiores elogios ao elenco jovem da peça que havíamos visto. Altri tempi, Outros tempos. Fiz a pesquisa sobre Romeu e Julieta por conta de um destaque para os filmes na TV deste sábado, 28, no Estado. O Telecine Cult apresenta o filme de Franco Zeffirelli às 19h30 e, na sequência, emenda às 22 h com Amor, Sublime Amor/West Side Story, de Robert Wise e Jerome Robbins, que não deixa de ser um Romeu e Julieta com canto e dança, em que Jets e Sharks substituem Montecchios e Capuletos. No outro dia, o jornal me pediu um texto sobre Freud no cinema, para acompanhar matéria sobre uma série de TV. Fui à fonte pesquisar em Um Livro Aberto, a autobiografia de John Huston. Foram duas pesquisas seguidas, porque esta semana a TV paga também mostrou o Moby Dick do diretor. Sobre Huston, sempre estive na contracorrente. Cahiers du Cinéma, na fase de Godard e Truffaut, não o considerava um autor. Tratava-o a pauladas. E quem gostava dele, era por Relíquia Macabra/The Maltese Falcon e O Tesouro de Sierra Madre, que nunca foram meus preferidos. Sempre achei que o filme sobre Freud, com Montgomery Clift, havia liberado Huston para assumir a vertente psicanalítica que redefiniu seu cinema. O ‘meu’ Huston é o de Os Pecados de Todos Nós, mas fazendo a pesquisa sobre Moby Dick encontrei um trecho que reli ao voltar ao livro, para pesquisar o capítulo sobre Freud, Além da Alma, que foi como o filme se chamou no Brasil. Huston adaptou o romance de Romain Gary, Raízes do Céu. O filme não saiu como ele queria, e o trecho é uma reflexão do diretor sobre remakes. Huston diz que nunca entendeu por que se refilmam grandes sucessos. E acrescenta que nunca conheceu um único caso em que o remake fosse melhor do que o original. “Não existe fórmula que permita a recriação da extraordinária composição química que contribuiu para tornar inesquecível uma determinada obra.” De sua parte, ele gostaria de refilmar Raízes do Céu, para dar ao livro e ao filme, e a ele próprio, uma segunda oportunidade. Faço essa digressão porque Steven Spielberg – Spielberg, por que? – arrisca-se refilmando West Side Story. Vi umas fotos, não sei em que pé anda a produção, mas com certeza é filme de Oscar. Com o mercado travado e a esperança de normalização no segundo semestre já acelerando o tráfego dos lançamentos, sei lá se o novo West Side Story conseguirá estrear este ano (mesmo nos EUA). O original ganhou dez Oscars. É cult, mas está longe de ser perfeito. Não duvido que Spielberg consiga fazer um filme belíssimo, a questão é a aura. Ele pode ter encontrado um ator melhor do que Richard Beymer, mas Natalie Wood (mesmo que ela não cante), Rita Moreno, George Chakiris? Valendo o raciocínio de Huston, talvez fosse melhor se Spielberg refilmasse – desse uma segunda oportunidade a – Cats.

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