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Rio, lá vamos nós

Luiz Carlos Merten

04 de abril de 2014 | 23h04

Acreditem, mas simplesmente não tenho tido tempo de postar. Desde que voltei de Porto Alegre, entrei na roda viva da redação. Um dia foi a abertura do Festival Sesc de Melhores Filmes, no outro, do Festival É Tudo Verdade e todo dia tenho visto filmes, feito entrevistas. Fiquei uma hora conversando com Maria Ribeiro, que fez o belíssimo documentário sobre Los Hermanos, outra com Yoku Wakabayashi, o discípulo de Shohei Imamura que veio a São Paulo para mostrar Cavalos de Fukushima e discutir (amanhã, sábado, às 18 h, no CCBB) o legado de seu mestre. Também conversei – por telefone – com os irmãos Anthony e Joe Russo, de Capitão América 2, do qual gosto bastante. Ontem, 3 de abril, posso ter perdido a data no blog, mas fiz para o portal do Estado textos sobre os 90 anos de Doris Day e Marlon Brando. Ambos nasceram no mesmo dia, ela, em Cincinatti, Ohio, ele, em Omaha, Nebraska. Brando virou a encarnação da rebeldia na tela e Doris, a da caretice, embora, justiça seja feita, fosse uma grande cantora e uma atriz apreciável. Doris não foi uma atriz que cantava – mas cantou bastante frente às câmeras – e sim, uma cantora que fez filmes. Mas ela também fez, com Rock Hudson (e James Garner, Rod Taylor), as comédias que lhe valeram o rótulo de virgem do hímen de aço e inspiraram a piada famosa de Groucho Marx – ‘Conheci Doris Day quando ela ainda não era virgem’. Também fiz para o portal matéria sobre a abertura do É Tudo Verdade, ontem à noite, incluindo o regalo da inauguração. Amir Labaki homenageou Eduardo Coutinho, grande amigo de seu festival de documentários, exibindo um curta com uma entrevistas que deveria integrar projeto que ele abandonou. Quem teve a ideia foi João Moreira Salles, que propôs a Coutinho que reencontrasse personagens emblemáticas de seus documentários. O próprio Coutinho fica repetindo em cena que não vai dar certo, porque seu método se baseia no ineditismo e informalidade do primeiro encontro, mas ele reencontra Dona Teresa, a espiritualista que lembra, como Tio Bonmee, suas vidas passadas em Santo Forte. Foi emocionante rever Coutinho, e tenho certeza de que não vou falar só por mim. Não fiquei triste – é o mistério do cinema, que permite às pessoas e coisas permanecerem vivas como imagem e som, mas vai nisso também uma representação de morte, porque o que foi filmado fica congelado no gesto e na fala, repetindo-se igual para todo o sempre. É curioso que esteja escrevendo isso, porque O Congresso Futuristas, de Ari Folman, subverte o conceito. A atriz, Robin Wright, é escaneada e estrela novos filmes, mas se rebela ao descobrir para que sua imagem está sendo utilizada. A revolução virtual – Coutinho podia utilizar tecnologia digital, mas o que lhe interessava eram as pessoas – gente. Enfim, sugiro que leiam o blog e acompanhem o portal, poque vou seguir dando informações sobre destaques do É Tudo Verdade. Amanhã vou ao Rio. Vamos – Dib Carneiro e eu. Gabriel Villela estreia novo infantil com Luana Piovani no Espaço Tom, Jobim, no Jardim Botânico, após O Soldadinho e a Bailarina. Chama-se Mania de Explicação e tem origem no livro de Adriana Falcão. Na sequência, quero ver se ainda pego, no Espaço Botafogo, o painel sobre Helena Solberg e a sessão de autógrafos da primeira mulher homenageada com retrospectiva pelo É Tudo Verdade. Grande Helena. Cada vez gosto mais dela, e de seu cinema. No ano passado, surtei com A Alma da Gente e só agora estou descobrindo A Conexão Brasileira, de 1983, um choque. Na segunda, Helena autografa em São Paulo o livro de Mariana Tavares que disseca sua obra, um lançamento conjunto do É Tudo Verdade com a Imprensa Oficial. E ah, sim, no sábado e domingo à noite, no Rio, nosso endereço será o Teatro do Sesc, em Copacabana, para ver o novo experimento dramatúrgico de Christiane Jatahy, E se Elas Fossem para Moscou. Peça um dia, filme da peça no outro. Estou nos cascos porque, se há coisa de que não duvido, é do talento de Christiane.

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