As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Richard Linklater conseguiu – Jovens, Loucos e Mais Rebeldes é (muito) massa!

Luiz Carlos Merten

06 de novembro de 2016 | 09h59

Sei bem da fama de Jovens, Loucos e Rebeldes, Dazed and Confused, de Richard Linklater, que Quentin Tarantino considera um dos maiores filmes dos anos 1990 e um de seus 10 best, ever. Por mais que seja bom, e é, não o colocaria no meu panteão, mas agora estou balançado por Jovens, Loucos e Mais Rebeldes, que vi ontem. Havia ido à Galeria do Rock para arrumar os óculos, passei na Olido e descobri que o novo Linklater entrou no Circuito Spcine. Vi depois de A Menina sem Mãos, na Mostra – e amei. Esse Richard Linklater não é mole. A trilogia ‘Before’ – Antes do Amanhecer, do Pôr do Sol e da Meia-Noite -, Boyhood… São bons, eventualmente ótimos, mas Jovens, Loucos e Mais Rebeldes me bateu como um raio. Tóin! Amei. Aos 70 (e um), um filme teen me deixou nos cascos. Inveja de quem está começando. Mas antes quero fazer outra pequena digressão. Amo aquele diálogo da Clara em Aquarius, quando Sonia Braga enquadra o neto do dono da incorporadora, PhD da pqp. Ela diz que a classe dominante vive reclamando da falta de educação, mas quem não tem educação é essa elite de m… (a merda é acréscimo meu), não o povo humilde. Domingo passado fui ver A Garota do Trem, com meu amigo Dib, no Shopping Eldorado. Caímos na pocilga, aquele bando de porcos, comendo pipoca, tomando refrigerante e conversando dentro da sala. As pessoas perderam a noção. Nem mais se dão conta de seu comportamento. Virou norma. Cinema é para conversar, conferir e-mail, Face… Parecia praça da alimentação. Que delícia, na Sala Olido, poder ver e ouvir um filme, não a plateia na hora da merenda. Deve ser o último local em que isso ocorre na cidade. Pois que seja. Jovens, Loucos e Rebeldes é sobre um garoto contestador no último dia de aula na universidade. Jovens, Loucos e Mais Rebeldes, Evereybody Wants Some, é sobre outro garoto que chega à universidade. Faltam três dias para o início das aulas, ele se enturma com os colegas numa casa cedida pela comunidade, porque o dormitório está cheio. O grupo integra o time vencedor da escola. Só pensam em esporte, e ‘pussy’. Mas o garoto, Jake, por mais ‘normal’ que seja – e de perto ninguém é -, é ‘sensível’. Envolve-se rapidamente com uma garota da turma do teatro, que cursa artes. Ele não é totalmente imbecil, ela é libertária. Vão formar uma grande dupla. A última frase de Jake, Blake Jenner, é uma maravilha. Não, não vai ter spoiler. Como todo filme de Linklater, esse é sobre o tempo. Filmagem simples direta, diálogos muito bem escritos. Bem escritos? Do jeito como Linklater trabalha com os atores, parecem estar sendo improvisados. Uma ficção com cara de documentário. Gostei muito – muito, muito. E Jovens, Loucos e Mais Rebeldes dialoga muito bem com Indignação, sobre a chegada de outro garoto contestador à universidade, mas numa época anterior, no começo dos anos 1950, em plena Guerra Fria, um período muito mais difícil, preconceituoso. Adoro quando isso acontece – James Schamus e Richard Linklater bagunçaram minha lista de melhores do ano. Estão tentando arrombar a porta. Querem entrar, de qualquer jeito. Preciso acrescentar que entrevistei Linklater duas vezes, ambas em Berlim. Por Antes do Amanhecer e Boyhood. Estou sabendo que ele vai se lançar num projeto que pode parecer maluco, mas acho que vai desenvolver de forma muito bacana – uma sequência de A Última Missão, o filme cult de Hal Ashby, com Jack Nicholson! Já pensaram?

Tendências: