As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Mostra (3)/Reygadas e a saudade do Brasil de Humberto Mauro

Luiz Carlos Merten

20 Outubro 2018 | 09h10

Corri feito louco para ver se dava conta de meus compromissos na sexta, ontem. Queria ver o documentário de Evaldo Mocarzel com/sobre Vera Holtz, As Quatro Irmãs. Terminei, numa confusão bem minha, confundindo os Itaús. Era no Augusta, fui no Frei Caneca. Tive minhas compensações. Encontrei minha querida Cecília Barroso e assisti ao documentário de André DiMauro sobre o tio/avô dele, Humberto Mauro. Pioneiro do cinema brasileiro, reconhecido como mestre pelo pessoal do Cinema Novo, Mauro construiu seu sonho de cinema no interior de Minas, em Cataguases. Criou imagens que estão no nosso – no meu – imaginário. A forma como Mauro filmava o desejo! E as Gerais… Sou um gaúcho impregnado de mineiridade, e (re)ver esse Brasil interiorano, mineiro, de Mauro, me encheu a alma. Cachoeiras, carros de bois, montes, a casinhas pequenina com coqueiro do lado, a velha a fiar. Me deu uma nostalgia do Brasil. Essa gente que veste camiseta, Meu partido é o Brasil, e vota no coiso não tem noção. O País que querem é americanizado. Estão a um passo de conseguir. Hoje tenho outra programação intensa, se conseguir. Carlos Reygadas, 2 da tarde, Nuestro Timpo. Às 5, Não Me Toque, de Adina Pintilie, que venceu o Urso de Ouro. E às 8, 20h10, Deslembro, de Flávia Castro, que, se eu não vir, a Margarida Oliveira me mata. Esse é o meu planejamento de hoje, mas aí tem a versão restaurada de O Bravo Guerreiro, de Gustavo Dahl, às 19h30, única chance. O minimalismo de Straub aplicado à questão político/sindical brasileira. Serão 50 anos esta noite, e a esquerda, no Brasil de 68, vive um impasse muito parecido com a de 2018. O Bravo Guerreiro, com A Vida Provisória, de Maurício Gomes Leite, muito mais que O Desafio, de Paulo César Saraceni – Terra em Transe é hors concours -, faz parte do meu ideário político no cinema brasileiro dos anos 1960.