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Revisitando o Oscar…

Luiz Carlos Merten

26 de abril de 2015 | 16h51

No post sobre a caixa de ficção-científica da Versátil, tratei en passant de Fuga no Século 21. Disse que o filme de Michael Anderson começa bem e tem uma segunda parte que é o ó. Não desgosto de Michael Anderson. É o que os críticos chamam de artesão britânico/americano, um diretor anódino que fez filmes de prestígio mas sem muita personalidade. Até concordo, mas para minha surpresa creio que ele tem filmes bons, e até muito bons – Labaredas do Inferno é um dos melhores filmes de guerra feitos na Inglaterra, nos anos 1950; A Morte não Manda Aviso/The Quiller Memorandum é um dos melhores e mais críticos filmes de espionagem dos 60, mas neste caso conta muito o roteiro de Harold Pinter. Esses dois até que são unanimidades, mas gosto também de Operação Crossbow, com Sophia Loren e George Peppard, sobre os esforços dos aliados para manter secretos experimentos secretos com armas de ponta; de Joana, a Mulher Que Foi Papa, com Liv Ullman – bem melhor do que As Sandálias do Pescador, que ele adaptou de Morris West -, e de Orca, a Baleia Assassina, que na época (1977/78) defendi como um dos melhores filmes-catástrofe. Por mais que Michael Anderson me seja simpático, nunca engoli que A Volta ao Mundo em 80 Dias, que dirigiu sob a supervisão do então sr. Elizabeth Taylor, o produtor Michael Todd, tenha vencido o Oscar de 1956. É verdade que a Academia dissociou os prêmios, e ele não levou o de direção, que foi para o George Stevens de Giant/Assim Caminha a Humanidade, do qual gosto muito, mas não creio que o próprio Stevens merecesse ganhar sua segunda estatueta naquele ano. Uma pausa – nas duas vezes em que venceu o Oscar de direção, Stevens não ganhou o de melhor filme. Em 1951, ele ficou com seu primeiro Oscar pela direção de Um Lugar ao Sol, mas o melhor filme foi Sinfonia de Paris/An American in Paris, de Vincente Minnelli. Para o meu gosto pessoal, ele deveria ter ganhado melhor filme e direção em 1953, quando concorreu por Shane/Os Brutos Também Amam, mas a Academia preferiu premiar A Um Passo da Eternidade, e Fred Zinnemann. Em 1956, nem Stevens e muito menos A Volta ao Mundo mereciam vencer, porque era o ano de Rastros de Ódio, de John Ford, que nem foi indicado, mas foi o grande filme daquele ano. O desprezo (ódio?) da Academia por westerns é notório. John Ford ganhou quatro estatuetas – um recorde de direção -, mas nenhuma foi por faroestes, e ele próprio se definia – ‘My name is John Ford. I make westerns/Meu nome é John Ford. Faço faroestes.” Tenho um livro que infelizmente está desatualizado – The Academy Awards Handbook, de John Harkness, de 2001; infelizmente nunca encontrei outra edição mais recente. Fui procurar os indicados e os vencedores de 1956. Descobri que Harkness acredita, como eu, que aquele talvez tenha sido o pior ano das história do Oscar. Melhor filme, diretor, ator (Yul Brynner, por O Rei e Eu), melhor atriz (Ingrid Bergman, por Anastásia, a Princesa Esquecida)  ninguém merecia ganhar. Aproveitei e li um pouco do livro, que tinha lá na estante para eventuais consultas,  mas que só busco pontualmente, e para responder a questões específicas. Descobri um monte de histórias legais que daqui a pouco, não hoje, passo a compartilhar com vocês. Mas não resisto a colocar logo uma. Harkness divide a premiação por ano e, lá pelas tantas, ele termina cada ano com (A)Head, Adiante. Parece natural, mas na verdade ele está contabilizando as vezes em que Edith Head foi indicada para o prêmio de figurinos. Harkness deixa de contar quando ela ganhou sua 30ª indicação, mas acrescenta que Edith ainda teve outras, e até ganhou mais um prêmio. Foram oito ou nove Oscars, um recorde, mas Edith Head nunca se conformou de haver perdido com os figurinos que criou para Grace Kelly em Ladrão de Casaca, de Alfred Hitchcock, e que eram realmente deslumbrantes. Achei que seria interessante compartilhar com vocês. Espero que tenham gostado.

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