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Revisando Episódio VII

Luiz Carlos Merten

29 de março de 2016 | 09h46

Num desses posts detonando Batman Vs. Superman, o autor falou no fracasso do filme e disse esperar que, desses escombros, se erguesse o novo cinema baseado em HQs, nem que fosse daqui a uma década. Explica o fracasso, cara-pálida. Estou disposto a ir ao inferno para defender A Origem da Justiça como um evento artístico excepcional – a nova representação da qualidade hollywoodiana, acima de qualquer Martin Scorsese ou Alejandro González-Iñárritu – e, quanto ao público, a Warner não para de alardear. Batman Vs. Superman já faturou não sei quantos milhões worldwide e, no Brasil, teve a maior abertura ever. Ou seja, não é fracasso coisa nenhuma. Mas o post não é sobre isso. Na viagem de volta, revi, pela terceira ou quarta vez, O Despertar da Força. Já escrevi aqui que meu entusiasmo pelo volume 7 de Star Wars diminui de forma alarmante a cada vez que revejo o filme. Admiro JJ Abrams, e acho Super-8 uma obra-prima, mas acho que agora já deu para formar uma opinião definitiva sobre Star Wars VII, e não é das mais lisonjeiras. O filme só fica bom de verdade com o reencontro de Leia e Han Solo, quando, na parafernália de efeitos, JJ encontra finalmente o veio intimista que caracterizava Super-8. O encontro entre pai e filho, o parricídio – o assassinato do pai pelo filho que se entregou ao lado escuro da Força, retomando a tragédia das duas trilogias anteriores -, o caminho sinuoso até Luke Skywalker, tudo isso é muito bonito, mas antes tem aquela hora e meia de fliperama que não vale, como aventura, o sensacional e hawksiano Jurassic World, de Colin Trevorrow, o melhor filme de aventuras do ano passado. Não por acaso, ouço dizer que Trevorrow já foi contratado para fazer o 8 ou o 9, e agora, sim, ponho fé de que a nova trilogia Star Wars vai se achar. No meu imaginário – nas raras entrevistas que li de Trevorrow ninguém fala no assunto, mas também não importa -, as cenas de Chris Pratt e Bryce Dallas Howard em Jurassic World são uma retomada/reinvenção do romance (ou será embate?) entre John Wayne e Elsa Martinelli, entre Sean Mercer e Dallas, em Hatari!, de Howard Hawks, de 1962, que é minha Bíblia do cinema de aventuras. Não há nada em Hatari! que não seja parte de um elaborado exercício intelectual para refletir sobre o homem e a mulher no mundo, e ao mesmo tempo o filme tem o frescor permanente de uma aventura que parece fluir ao sabor do movimento. O problema é que, nesses tempos de correção política, Hawks poderia/poderá ser acusado de misoginia e até racismo. Misógino ele já era em seu tempo – a mulher aumenta o perigo do homem, basta ver que Sean, o caçador, defronta-se com a natureza, a caça, e a mulher, Dallas, identifica-se com ela. Dallas vira ‘mãe’ do elefantinho. Hoje, para ser correto, Hatari! teria de ter personagens representativos de ‘minorias’. Um gay, quem sabe? Mas esperem – Red Buttons não estará fazendo um gay enrustido, no armário, modelo anos 1960? Deliro, e volto a Star Wars Episódio VII – O Despertar da Força. Face ao meu Batman Vs. Superman quatro (cinco?) estrelas, o Despertar, no limite, teria… Duas?