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‘Resident Evil’

Luiz Carlos Merten

23 de setembro de 2012 | 13h14

Estou sem internet em casa, há dias. Ontem pela manhã fui em busca de assistência técnica para resolver o assunto, mas ainda não consegui. Como consequência, postar ficou mais difícil, pelo menos por ora. Fui ver ontem à tarde ‘Resident Evil’, o 5. É o ultimate game movie. Confesso que curto muito Milla Jovovich e me divirto com as loucuras que ela, como ‘Alice’, faz em cena dirigida pelo maridão Paul W. S. Anderson. Aliás, nada a ver, mas pelo registro não resisto a acrescentar que há alguns anos a dupla foi mostrar cenas de ‘Resident Evil 4’ em Cancun, no Sony Summer. Achei-os de uma beleza assombrosa, porque o Paul é um tipaço e poderia muito bem estar fazendo carreira frente às câmeras. Nada faz muito sentido na trama do 5 e o fato de os personagens serem clonados elimina qualquer vestígio de psicologia nas ações. Só pauleira, nada além de efeitos, nenhuma solução. O filme empilha problemas e termina em aberto, com a promessa do 6 (e talvez do 7, 8…). Pura experiência visual, sensorial, com a retomada de velhos monstros da série e a criação de novos. O que há mais próximo de humanidade em cena é o sentimento maternal que Alice desenvolve pela menina, mesmo que a garota seja só uma clonezinha na qual foi implantada a memória de que Milla é sua mãe. Tudo é fake e, no universo de Umbrella, ‘Nova York’ é só um hangar ao lado de ‘Moscou’ e ‘Tóquio’, o que não deixa de ser interessante como representação do mundo corporativo. Milla está perdendo o frescor sem deixar de ser 10. Saí do game movie e corri para a Galeria Olido, para o Indie 12. Cheguei lá e havia um tumulto. Não podia ser pelo festival de cinema independente, e não era. Havia um show de Wanderléa. Com todo respeito, o que havia ali de coroas sacudidas e gays de carteirinha não estava no gibi. Bastava gritar ‘Senhor, juiz!’ e a coisa pegava fogo. Meu filme ‘independente’ era ‘Charles Bradley – Soul of America’, um documentário sobre cara que viveu uma vida extremamente dura e difícil e, sexagenário, realizou o sonho de virar ídolo soul, com direito a CD listado pela revista ‘Rolling Stones’ entre as obras fundamentais do gênero. Saí nas últimas, como quien se desangra. Hoje estou me sentindo um pouco melhor. Não sei se vou diretamente para o Indie ou se assisto antes a ‘O Legado Bourne’, que ainda não vi. Só uma curiosidade. Há dias ninguém comenta nada no blog. Minha caixa está travada. Elimino e-mails, mas não adiante. Automaticamente entram outros mil, e o maluco é que entram aleatoriamente, em posts novos e antigos, todo tipo de propaganda em inglês. Preciso consultar a técnica para vetar esse tipo de mensagem indesejada. Não sei se tem alguma coisa a ver, mas muitos entram sempre em relação a um post chamado ‘Um Raio em Céu Sereno’. Se não fosse a preguiça de pesquisar, gostaria de checar se o post é sobre o filme de Gordon Douglas com Angie Dickinson, ‘The Sins of Rachel Cade’, que ostenta a reputação de ser um ‘Uma Cruz à Beira do Abismo’, de Fred Zinnemann, com Audrey Hepburn, dos pobres. Nunca mais revi o filme, mas não me surpreenderia se fosse até melhor. Zinnemann foi o acadêmico mais bem sucedido, no sentido da fama, da história de Hollywood. Gordon Douglas, pelo contrário, é um dos grandes talentos mais subestimados do cinema. Cheguei a pensar a escrever um livro sobre ele, e a minha paixão por ‘Rio Conchos’, ‘Sílvia’, ‘Harlow’ e ‘O Revólver de Um Desconhecido’. Talvez ainda o faça um dia, quando me aposentar.

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