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Regina Duarte na Cinemateca (e a instituição já estava pedindo socorro)

Luiz Carlos Merten

20 de maio de 2020 | 12h13

Consegui falar com Carlos Augusto Calil, tão logo a Lùcia me ligou para informar que Regina Duarte deixou a Secretaria Especial de Cultura para assumir a Cinemateca Brasileira. Como assim, assumir? Assumir o quê, como? Nessa crisae permanente que virou o Brasil sob Bolsonaro – tem a da Saúde, da Justiça, as inverstigações que, cada vez msis, chegam perto da família do presidente -, já havia uma crise da Cinemateca que começou lá atrás, em 2013, ao sofrer a intervenção do Ministério da Cultura, que destituiu sua diretoria e retirou a autonomia operacional. Calil, da ECA-UPS, foi direetor da Cinematerca. Permanece um de seus guardiões. A situação só veio se deteriorando e esta semana a Cinemateca emitiu um pedido de socorro. O documento destaca que o contrato do Governo Federal com a Organização Social que a administra – Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto (ACERP) – foi encerrado por iniciativa do MEC. A atual Secretaria Especial da Cultura, na qual estava Regina e era responsável pela Cinemateca, tem seus vínculos administrativos divididos entre os ministérios da Cidadania e do Turismo. A situação esquizofrênica, típioca desse governo, dificulta a própria atuação com a urgência necessária para impedir a falência da Cinemateca. A instituição – reproduzo o que diz o documento – tem sob sua guarda o maior acervo audiovisual da América do Sul, cuja preservação demanda cuidados permanentes de técnicos especializados e manutenção de estritos parâmetros de conservação em baixa temperatura e umidade relativa. Estão sob sua custódia coleções públicas e privadas que constituem a memória audiovisual do país. Além do intrínseco valor cultural, as obras dos produtores nacionais agregam valor econômico; são fonte de renda industrial que mantém a dinâmica do setor. A ameaça que paira sobre a Cinemateca não é a destruição de valores apenas simbólicos, mas igualmente tangíveis. O descaso – da antiga Secretaria do Audiovisual, do então MinC – já levou ao incêndio de 2016, ao atraso de salários, a essa crise medonha (o medonho é meu). O documento ganhou adesões importantes, nacionais e internacionais, tendo repercutido em jornais da Europa que Calil não teve tempo de elucidar. Não estou conseguindo falar com ele de novo – pedi para ler o documento com mais atenção, vou fazer o próximo post com a íntegra -, mas Calil levantou a questão. Como Regina Duarte vai assumir a Cinemateca, se não existem cargos nem vínculos? Antes de desligar, Calil fez a pergunta – e o dinheiro? Ela vai trazer o dinheiro de Brasília? No ar, mais um capítulo da eletrizante novelas Brasil sob Bolsonaro. Mostra Tua Cara! Nem Janete Clair para inventar tanto enredo. Cada dia é um capítulo mais cabeludo que o outro.

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