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Recomeço para John McTiernan?

Luiz Carlos Merten

08 de maio de 2014 | 10h01

Comprei a nova edição da revista Empire que está nas bancas da Paulista. A chamada de capa é Director’s Cut e Steven Spelberg, David Fincher, Joss Whedon, Francis Ford Coppola, JJ Abrams, Michael Mann, Guillermo Del Toro (chega?) dão importantes contribuições. Tudo o que você queria saber sobre Tubarão, Seven – Os Sete Pecados Capitais e outros cults. Mas eu confesso que terminei me interessando mais por outra reportagem/entrevistas. John McTiernan foi solto em 25 de fevereiro e conta tudo, desde o imbróglio que o levou à cadeia por mentir num inquérito federal – sobre o investigador privado de Los Angeles, Anthony Pellicano – até sua estadia de um ano na Prisão de Yankton, em South Dakota. Se há uma vida que daria filme é a de McTiernan. O homem que reformulou o conceito de ação em Hollywood, nos anos 1980, iniciando franquias muito bem sucedidas – Predador e Duro de Matar – e formatando também as aventuras de Jack Ryan, o herói de Tom Clancy, em Caçada ao Outubro Vermelho, viveu seu inferno pessoal na última década, mas antes disso já vinha comendo o pão que o Diabo amassou ao perder a confiança dos produtores e ver seus filmes sistematicamente remontados (e, segundo ele, arruinados). Sua última experiência feliz foi The Thomas Crown Affair, com Pierce Brosnan e Rene Russo, seu segundo remake de um filme de Norman Jewison (o primeiro foi Rollerball) e ele conta que, na cadeia, escreveu o 2, que ainda tem esperança de filmar. Os que o apoiam (Brad Bird, Samuel L. Jackson, Jeremy Irons, Alec Baldwin) sustentam que o crime inafiançável que McTiernan cometeu foi recusar-se a colaborar com a Justiça para defender a integridade artística de Rollerball. Mesmo considerando que não podia estar acima da lei, estranham que tenha sido transformado em bode expiatório, o único a ser mandado para a prisão, quando havia outros figurões de Hollywood tão envolvidos no caso (e até mais…) que ele. O próprio McTiernan conta que estava bêbado, mais que sonado, quando recebeu um telefonema de madrugada e, em vez de ‘não’, disse ‘sim’ a uma simples pergunta que não teria entendido muito bem. Tudo começou assim. É uma história complicada que, se não der filme, poderia dar um livro. McTiernan, na entrevista, deixa subentendido que conviveu, de dentro, com presos que lhe contaram histórias incríveis. Afinal, era um deles (um dos apenados). Também deixa claro que todo o episódio lhe deu uma nova consciência sobre a natureza humana e sua capacidade de resistir a condições adversas. Será que vai poder aplicar isso a novos filmes? Do que leio na internet sobre, não consigo entender muito bem o caso Pellicano – nem suas implicações legais -, mas me impressiona bastante esse desfecho. E os grandes filmes de ação de McTiernan – seja ele culpado ou inocente – são grandes.

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